Terrenos baldios, espalhados pela cidade e que não são limpos por seus donos há meses, estão tomados pelo mato. Quem sofre são os vizinhos, que convivem com a sujeira, animais peçonhentos, além da insegurança. As reclamações, feitas ao governo municipal, não são poucas e aumentam cerca de 30% no período das chuvas, que contribuem para a proliferação dos matagais.
Segundo o diretor da Vigilância em Saúde de Franca, José Conrado Dias Neto, o setor recebe, em média, oito denúncias por dia. Em todo o ano passado, 4.303 proprietários foram notificados para limparem seus terrenos. Quem não realiza a manutenção após o prazo estipulado pela Prefeitura, que é de até 20 dias, pode pagar mais de R$ 300 em multa e limpeza da área.
O problema se alastrou por Franca. No Jardim do Éden, por exemplo, a dona de casa Ana Caroline Rodrigues Morlin, 21, moradora na rua Higino Nascimento, sofre com o mato alto do terreno vizinho, na esquina com a avenida Presidente Vargas. Lá, a vegetação quase alcança a altura das pessoas que esperam o transporte coletivo no ponto. “De vez em quando ele [o proprietário] vem e queima o mato, mas depois não volta mais. Depois fica esse lixo, mato, bichos”, reclamou Ana.
Outra que sofre e clama por ajuda é a dona de casa Vanessa Regina Messias, 34, moradora na rua Ednaldo de Oliveira, no Jardim Pulicano. Vizinha de quatro terrenos baldios, viu seu marido capturar dois escorpiões dentro de casa. A família é obrigada é capinar o mato próximo ao muro da residência, já que o proprietário não faz a manutenção. “Eles jogam veneno, mas não resolvem nada. Mata [a vegetação] por um mês, dois meses, mas depois vem com mais força”, reclamou a moradora.
PERIGO
Os terrenos baldios também acolhem a criminalidade. Os locais são usados, em alguns casos, como esconderijos de entorpecentes. Em outras ocasiões, facilitam a entrada de ladrões nas residências, dando acesso aos muros das casas.
A auxiliar de odontologia Edilamar Couto, 50, que mora há 14 anos ao lado de um terreno abandonado na rua Ozório de Paula Ferro, no Jardim Portinari, já teve a casa invadida e furtada quatro vezes. Além da sujeira, é obrigada a aguentar a movimentação de moradores de rua no local. “É entulho, lanche de bolota, mendigo que vem defecar, mau cheiro. Até cobra eu tenho encontrado aqui. [Os ladrões] já estouraram três portas e minha geladeira. Tenho medo, porque moro com minha mãe de 81 anos”, disse Edilamar.
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