Educação


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Fiquei alarmado com pesquisa que realizou três testes internacionais formulados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que considera o Índice Global de Habilidades Cognitivas e Realizações Educacionais.

O Brasil ficou em penúltimo lugar do mundo, ganhando apenas da Indonésia!!! É um resultado triste e deve ser profundamente refletido. O que, de fato, entendemos por educação? Por que nosso País não investe em educação? Quais foram os critérios utilizados pela pesquisa? Falar disso não é tarefa fácil, mas, deixar de refletir é omissão, e disso todos nós estamos cansados.

Está na hora de reagir e agir. Não existe desenvolvimento sem cultura, sem educação, sem conhecimento, sem informação, sem senso crítico. Nosso País caminha a passos lentos no setor, e isso é terrível.

Administrar um país de dimensão continental, com diferenças sociais e culturais imensas não é simples e bem complexo. Exige dos governantes e da população, empenho, dedicação, investimentos e metas de curto, médio e longo prazo. Programas dos governos federal, estadual e municipal precisam ter continuidade. Educação é investimento que leva tempo, e que, infelizmente, com nossa mentalidade imediatista, não se traduz em voto. Então, estamos em barco à deriva.

Fazemos de conta que há investimentos porque os ‘números’ mostram que há mais alunos em sala de aula e mais pessoas chegando ao nível superior – isso é bom e motivo de orgulho, já que, pior que seja o ensino, é melhor do que não nada. Tínhamos grande número de analfabetos. Hoje temos menos, embora o número de analfabetos funcionais continue alto. Esses, não conseguem formar e nem fazer juízo crítico.

Acredito que, algo poderoso acontecendo, nosso País terá condições de alcançar pontuação relevante em qualquer pesquisa educacional. Somos um povo de cultura diferenciada e nos adaptamos a situações adversas com facilidade, e isso também é educação. Precisamos de políticas públicas pautadas na meritocracia dos alunos, dos professores, das escolas. Quando falo em meritocracia falo de planejamento de metas focadas em avaliação reais do que temos, do que somos, e do que podemos nos tornar.

De quanto tempo precisamos? De pouco tempo! É só valorizar os educadores com salários condizentes, dar-lhes estruturas adequadas para desenvolverem o que sabem. Um professor de ensino fundamental/médio ganha em torno de R$ 9 a R$ 10 por hora aula! Então, está muito claro que qualquer trabalhador, de qualquer outra área, tem salário superior ao do educador.

O que enfatizo é que a educação deste País está nas mãos de profissionais pouco valorizados, e esses, quando encontram outras possibilidades de trabalho, deixam o magistério para lá.

Nem estou considerando a aberração de sabê-los trabalhando em três turnos para ganhar um pouco mais! Se trabalha tanto e ganha tão pouco, como terá tempo para investir na própria educação, reciclar-se, especializar-se, doutorar-se ou tornar-se mestre? Falta valorizar a educação em sua plenitude!

Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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