Franca agora está de cara nova, pelo menos em termos de mapa. Depois de quase quatro anos de trabalho, agora os limites entre os bairros da cidade poderão ser mais facilmente reconhecidos por órgãos como Sabesp, CPFL e Correios, o que facilitará o acesso aos endereços de todos os cidadãos francanos.
Mas por incrível que pareça, não foi fácil chegar até aí. Durante esse período, foi necessário percorrer e estudar detalhadamente os cerca de 260 bairros existentes no cadastro oficial da Prefeitura, um trabalho que envolveu vários técnicos, dados referentes aos vários loteamentos que foram surgindo pela cidade, todos os mapas até então existentes e até mesmo de imagens de satélite e aparelhos GPS. Tudo isso para dirimir as dúvidas em relação aos endereços de vários cidadãos que apesar de instalados em bairros e ruas aprovados pela própria Prefeitura, ainda não existiam concretamente para um ou mais dos órgãos citados anteriormente.
Reportagem publicada por este Comércio na quinta-feira, 27/12, mostra que mais de 2 mil proprietários de imóveis não existiam para os Correios, por exemplo, uma situação que é no mínimo inusitada. Se a máxima do racionalismo moderno nesses últimos 500 anos foi a expressão ‘penso, logo existo’, nada mais natural do que imaginar que ‘moro, logo existo’ também fosse um raciocínio extremamente lógico, para além de verdadeiro.
Em Franca, porém, parece que esse raciocínio não vingou para todos, mostrando que o desenvolvimento real de Franca não acompanhou necessariamente a lógica dos planos estabelecidos por suas autoridades. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento, as divergências entre as descrições de limites oficiais e a configuração atual da cidade originaram-se da sobreposição de limites estabelecidos por leis criadas em épocas diferentes e por mudanças provocadas pela ampliação do sistema viário, pela criação de parques e por grandes empreendimentos que aos poucos foram se estabelecendo.
As explicações, apesar de plausíveis, merecem um pouco mais de atenção por parte de toda a população. Se a criação de leis e a aprovação de parques, novas avenidas e grandes empreendimentos dependem exatamente das autoridades municipais, obviamente essas divergências são oriundas de um trabalho mal planejado ou executado por essas mesmas autoridades, mesmo entendendo que esse tipo de erro venha vindo de longe, ao longo de várias décadas, com diferentes autoridades no comando dos três poderes que governam e fiscalizam o município.
Nesse sentido, é muito importante que o atual prefeito, responsável pela execução desse trabalho, não deixe que essas divergências se repitam com a mesma facilidade com que invadiram os espaços francanos nesses últimos tempos. Afinal todo esse trabalho assemelha-se muito mais a um retrabalho, pois os bairros e as ruas da cidade deveriam nascer, crescer e desenvolver-se com seus limites sempre corretos e estabelecidos.
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