A casa da sapateira Isabel Cristina de Souza, 40, e do carpinteiro Eurípedes Balsanulfo Silva, 39, no Jardim Paulista, estava cheia de adultos e crianças no começo da tarde de ontem. Mesmo assim, o clima não era de confraternização. O luto e a dor pela morte de Vinícius Souza da Silva, 9, estavam estampados nos rostos dos presentes, principalmente nos olhos da mãe Isabel, que tem oito filhos com idades entre dois meses e 24 anos. “Eu estou me sentindo péssima, ele me faz muita falta. Ele era o único filho homem que ainda morava comigo, e Deus o tirou de mim.” A sapateira teve 11 filhos, um morreu prematuro, outro atropelado e, agora, Vinícius afogado.
O garoto estava jogando futebol com amigos em um campo próximo à sua casa no final de tarde de sábado, dia 5, quando a bola foi parar no córrego dos Bagres, na avenida Hélio Palermo. Ao tentar pegar o brinquedo, o menino caiu no canal e foi levado pela correnteza, formada por uma chuva forte que caiu minutos antes. Ao resgatarem Vinícius, os Bombeiros o encaminharam para a Santa Casa, mas ele chegou ao hospital sem vida.
Segundo Isabel, Vinícius era um menino muito obediente, educado e alegre, e se dava bem com todo mundo. O sonho do menino era ser carpinteiro, e ele já ajudava o pai em pequenos serviços. “Quando chegasse a idade certa e se ele ainda quisesse, eu o levaria para trabalhar, mas ele foi barrado no meio do caminho”, lamenta Eurípedes.
A mãe conta que o garoto adorava brincar de carrinho e jogar futebol, atividade que ele realizava quase todos os dias. Vinícius sempre avisava quando iria sair para o campinho, que fica próximo à sua casa, mas, no sábado, ele saiu sem falar com ela. “Sempre pedia para que ele nunca saísse do campinho por nada.”,
Isabel já perdeu outra filha - enteada de Eurípedes - de maneira trágica, também perto de casa. Amanda, 4, brincava na calçada da sua rua há cerca de dez anos quando um veículo desgovernado a atropelou. “Pensamos em arrumar uma outra casa e sair daqui, porque eu não aguento mais. Esse lugar é muito perigoso, fico preocupada com meus outros filhos.”
Eurípedes está igualmente abatido e revoltado pela falta de segurança da área. “Aqui tem muitos problemas de trânsito, precisava de um semáforo na rotatória da Hélio Palermo [na altura da rua Pará, onde fica a residência da família]. Além disso, vários carros já caíram no córrego. Tinha que colocar uma grade para evitar o acesso. Já perdi meu filho, não tem retorno, mas pelo menos colocar grades no córrego pode evitar que isso aconteça com outras pessoas.”
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