Novo valor do salário mínimo injeta R$ 24 mi na economia da região


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A pensionista Maria José Silva de Oliveira mostra cartão que lhe permite sacar o benefício do INSS
A pensionista Maria José Silva de Oliveira mostra cartão que lhe permite sacar o benefício do INSS

O aumento do salário mínimo federal de 9%, que entra em vigor em janeiro, vai injetar cerca de R$ 24 milhões a mais na economia da região de Franca em 2013. É o que mostra levantamento do Comércio da Franca realizado junto ao Ministério da Previdência Social. O mínimo concedido a aposentados e pensionistas passa de R$ 622 para R$ 678.

Em Franca e outras nove cidades da região (Cristais Paulista, Itirapuã, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina e São José da Bela Vista), cerca de 32 mil pessoas recebem um salário mínimo como benefício do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). A classe C deve abocanhar 57% dos pagamentos.

Em valores, o aumento do mínimo será de R$ 56. Com o desconto da inflação no período de um ano, segundo o economista Cézar Vilela, o benefício terá o aumento real de R$ 24. “Esse valor deve, com certeza, ser utilizado para pagar dívidas, medicamentos e alimentação”, afirma Vilela. Comparada aos R$ 622 atuais, a alta de R$ 56 pode ser considerada expressiva. Mas, de acordo com Vilela, o custo de vida e o fato de que muitos aposentados não têm outra fonte de renda torna o valor baixo.

“O dinheiro não dá para muita coisa. Fora os remédios e um colírio de R$ 90 que preciso usar todos os dias, tem aluguel, alimentação, luz, água.” As palavras são da pensionista Maria José Silva Oliveira, de 73 anos, residente no Jardim Dermínio. Ela, que recebe um salário mínimo de pensão pela morte do marido, não vê perspectivas de melhora com o aumento concedido pelo governo federal. “Esse valor [do salário mínimo] teria que ser bem maior”, desabafou a mulher, que mora com dois filhos - um deles desempregado - e um neto de 2 anos.

Economistas do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontam que o salário mínimo deveria ser de R$ 2,6 mil. A entidade ligada ao movimento sindical brasileiro faz a estimativa com base no preceito constitucional de que o mínimo deve ser suficiente para suprir os gastos do trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, educação, vestuário, saúde, transportes, higiene, lazer e previdência social.

REAJUSTE MENOR
Os demais aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo terão reajuste de 5,63% do benefício em 2013. A informação consta do relatório final do Orçamento da União. Com o aumento, o valor máximo das aposentadorias passará de R$ 3.916,20 para R$ 4.136,68. O percentual de reajuste corresponde apenas à correção da inflação prevista para 2012, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Desde 2011, o governo tem dado aos aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo o aumento correspondente à correção da inflação do ano anterior. O ano de 2010 foi o último em que o reajuste superou o índice da inflação. Na época, os aposentados que ganhavam acima do mínimo receberam correção de 7,72%, quando o INPC foi de 3,45%.

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