O que eu faria com os R$ 81 mi pagos pela Mega-Sena da Virada


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Viveria em várias casas espalhadas pelo mundo Gélson, dono da lotérica
Viveria em várias casas espalhadas pelo mundo Gélson, dono da lotérica

Franca se despediu de 2012 com a notícia de que uma aposta na Mega-Sena da Virada feita na cidade faturou um terço do prêmio recorde pago pela Loteria. O valor total, de R$ 244,7 milhões, foi dividido entre três ganhadores que acertaram as seis dezenas do sorteio do dia 31 de dezembro. Além do premiado de Franca, outros dois de São Paulo e Aparecida de Goiânia (GO) estão milionários e vão embolsar mais de R$ 81,5 milhões.

O ganhador do maior prêmio já pago pelas loterias em Franca se apresentou numa das agências da Caixa Econômica Federal na quinta-feira passada, mas a assessoria de imprensa do banco não revelou a identidade dele (ou dela) nem a agência em que ele (a) se apresentou. Se antes de saber que uma das apostas vencedoras foi feita em Franca, os francanos já faziam planos sobre o que fazer com a bolada, após a notícia ser divulgada, o número de sonhadores só aumentou. A reportagem do Comércio escalou, então, quatro pessoas da cidade para revelar o que fariam se ganhassem os R$ 81,5 milhões na Mega-Sena.

No pacote de planos, aplicar o dinheiro na poupança é um dos mais comuns. Também pudera. O rendimento, segundo estimativas da Caixa, seria de mais de R$ 11 mil por dia ou R$ 347 mil por mês, se fosse aplicado o valor total.

Com a bolada é possível comprar 708 carros de luxo, mas a cozinheira Lucinéia Silvano, 43, diz que se contentaria com uma Captiva zero quilômetro, que está avaliada em menos de R$ 100 mil nas concessionárias da Chevrolet. Leia abaixo os planos dos “candidatos a milionários”.


Viveria em várias casas espalhadas pelo mundo
Gélson, dono da lotérica

Gélson Jorge, 43, é dono da Lotérica Caçula, na avenida Champagnat, onde foi feita a aposta vencedora da Mega da Virada, que rendeu ao ganhador nada menos que R$ 81,5 milhões. Desde que a Caixa Econômica Federal divulgou no dia 1º de janeiro a casa lotérica onde o apostador tinha jogado, Gélson tem sido alvo de brincadeiras dos clientes e também tem recebido pedidos para doar dinheiro. “É bom escrever que a lotérica não ganha nada com esse prêmio. O pessoal está me ligando direto pedindo para ajudar entidades, fazer doações para famílias, mas não ganhei nada. Quando tem ganhador daqui, ele pode até dar um prêmio para a lotérica, mas por iniciativa dele.” Mesmo sem ter ganho os milhões, Gélson já pensou em que investiria um prêmio tão “gordo”. Disse que doaria parte para os parentes e amigos endividados, aplicaria parte do dinheiro na poupança e viajaria. A princípio, não trocaria a casa do Jardim Noêmia onde mora. “Se ganhasse, nem teria casa. Na verdade, viveria em várias casas espalhadas pelo mundo, porque ficaria viajando.”

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Compraria uma casa, uma Captiva e iri dirigir meu próprio carro
Lucinéia, cozinheira

Quando pensa no que faria com R$ 81,5 milhões, a cozinheira Lucinéia Silvano, 43, abre um largo sorriso e olha para o céu imaginando o que poderia ter. Comprar a casa própria seria o primeiro passo. “É horrível pagar aluguel”, disse ela, que mora numa casa locada por R$ 400 no Jardim Flórida. Também entra nos planos de Lucinéia proporcionar uma vida mais confortável para os filhos de 21, 17 e 12 anos. “Isso significa ter o que não tive até hoje: uma casa, um carro, condições de viajar e comprar o que eu quero.”
Lucinéia iria viajar para as Serras Gaúchas e outros lugares belos do Brasil. No pacote ela inclui ainda obter a CNH, que não tem, e comprar um dos carros de seus sonhos: uma Captiva zero quilômetro. O veículo automático e zero quilômetro custa cerca de R$ 90 mil numa das concessionárias da Chevrolet em Franca. “Não teria motorista particular porque adoraria dirigir meu próprio carro.” Lucinéia chegou a fazer apostas na Mega-Sena da Virada justamente na Lotérica Caçula, onde saiu o jogo vencedor, mas só acertou 2 números.

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Mudaria para uma cidade pequena e nem trocaria de carro para não fazer alarde
Romildo, sucateiro

Romildo Garcia Vilar, 54, dono do Ferro Velho Aeroporto, disse que não costuma fazer apostas na Loteria. “Olha, filha, não jogo porque gosto de ganhar o dinheiro de forma mais natural, no trabalho”, disse à repórter. Mesmo sem chances de ganhar na Mega-Sena, Romildo tem ideia dos investimentos que faria com um prêmio milionário.
Disse que se mudaria para uma cidade pequena, que pode ser Jaguarinha, em Minas Gerais, que já visitou. “Sempre falo que se jogasse e ganhasse, seria a primeira coisa que faria. Ia me mudar para não mostrar que ganhei e ficaria escondido numa cidadezinha bem pacata e continuar com a vida simples que tenho.”
Continuaria com o mesmo carro, um Gol, ano 2006. “Tirei o carro zero e ficaria com ele mesmo para não dar alarde do prêmio.” Com parte do dinheiro, Romildo compraria “umas 20 casinhas de aluguel” e ajudaria os três filhos. “Sabe que comecei catando recicláveis com carrinho de mão e cheguei onde cheguei, mas daria tudo para voltar a ter a vida que tinha porque era mais sossegada, sabia? O dinheiro não traz felicidade, acho que é bom poder deixar uma porta aberta em casa sem se preocupar.” Ele começou a catar recicláveis aos 6 anos e há 20 montou um depósito de sucatas no Jardim Aeroporto. Tem hoje 40 caminhões, 23 funcionários e o local movimenta 400 t de recicláveis por mês.

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Construiria no mínimo 500 casas populares para famílias carentes
Brigagão, empresário

Diversão e o lado solidário pesam nas escolhas do empresário José Carlos Brigagão quando se imagina o milionário ganhador da Mega-Sena. Brigagão é um dos acionistas da fábrica de calçados Sândalo e presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e disse que, se faturasse o mega-prêmio da loteria, beneficiaria familiares com dificuldades financeiras, faria aplicações da poupança e organizaria uma viagem pelo mundo.
O empresário dá como certo que construiria no mínimo 500 casas populares para doar a famílias carentes. Se fosse cumprir a promessa, teria que “queimar” mais da metade do prêmio, cerca de R$ 50 milhões. Segundo corretores da cidade, uma casa popular em Franca, com 60 metros quadrados em média, dois dormitórios e localizada em um bairro periférico, custa em torno de R$ 100 mil.

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