Eles conquistaram a população de suas cidades, venceram as eleições de 2012 contra os então prefeitos ou seus apoiados e agora recebem o governo de seus opositores. E os desafios não serão fáceis. Com apenas quatro dias de mandato, seis prefeitos eleitos em cidades da região de Franca já tiveram “dores de cabeça”, que vão desde salários atrasados à dificuldade de escolher um secretário. Os primeiros dias no poder foram de muito estudo para resolver tudo o mais rápido possível.
Uma das piores situações é a da Prefeitura de São José da Bela Vista, agora comandada por Celinha Ferracioli (PTB). Ela encontrou os salários de dezembro atrasados - em torno de R$ 600 mil no total - e dívidas com fornecedores, a frota do município sucateada e um déficit de funcionários na Saúde. “Acabou a eleição e ele [ex-prefeito José Dito (PSDB)] cortou todos os médicos. Os enfermeiros eram comissionados e foram embora também. Estamos tentando reorganizar a saúde para a população não sofrer”, disse a prefeita. Funcionários foram contratados emergencialmente para cargos de confiança para suprir a necessidade.
Em Itirapuã, a Prefeitura está “quebrada”. Segundo o prefeito Rui Gonçalves (PP), as remunerações de dezembro e a segunda parcela do 13º salário não foram pagas para os 256 funcionários públicos. Há também dívidas com fornecedores. “Não tem dinheiro em caixa. Vamos ter que fazer acordo com os funcionários e os fornecedores”, lamentou Gonçalves.
RADICAL
O prefeito de Restinga, Paulo Pitt (DEM), disse ter encontrado um quadro de funcionários desorganizado. Em vez de secretários, a cidade tinha diretores de pastas, segundo Pitt. “É prejudicial ao município. O secretário é um agente político, sem férias, 13º salário, hora extra e acerto quando sai. O diretor tem todos os direitos trabalhistas.” Além disso, o prefeito disse ter notado que os funcionários não registravam ponto de entrada e saída, e promete mudanças radicais nos próximos meses. “Tem muito desvio de função dando prejuízo aos cofres públicos”, completou.
DÚVIDA
Pedregulho iniciou 2013 sem secretários de Educação e Saúde. De acordo com o prefeito José Raimundo de Almeida Júnior (PMDB), o Zezinho do Galego, ele ainda está se reunindo com sua equipe para estudar a real situação financeira da cidade, e esbarra na dificuldade de contratar profissionais para as pastas. “Os profissionais da área, pelo salário que é pago [na cidade], não encaram esse desafio. A intenção é aproveitar os profissionais daqui, e transformá-los em profissionais capazes de defender nossa população.”
‘TRANQUILOS’
Em Cristais Paulista e Patrocínio Paulista, os prefeitos Miguel Marques (PSDB) e Marcos Ferreira (PT), respectivamente, receberam as prefeituras em situação mais “confortável”. Marques esbarra na folha de pagamento “estourada”.
“A folha de pagamento está ocupando 56% do orçamento, quando o limite é 54%. Não tem jeito de contratar gente e fazer uma frente de limpeza, por exemplo, do mato.” Em Patrocínio, Ferreira encontrou uma Prefeitura sem processos licitatórios. “Tivemos que fazer licitação hoje [quinta-feira] para comprar merenda escolar e combustível”, pontuou Ferreira.
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