Se não pisar na bola, Alexandre terá tranquilidade para governar
Dando sequência a meu plano secreto de disfarçar que sou o ganhador da Mega da Virada, iniciado com a cobertura da posse e transmissão de cargo de prefeito ao longo de todo o dia 1º de janeiro, aqui vai a primeira coluna do ano para os meus 81,5 milhões de seguidores... e cobradores. Sidnei saiu. Desde as 10h44 de terça-feira, quando assinou o termo de posse, Alexandre Ferreira é o novo prefeito de Franca. Reuniu-se com secretários e ocupantes de cargos em comissão e avisou: cobrará resultados. “Doa a quem doer.”
As dívidas da Prefeitura estão controladas e as estimativas de receita para 2013 são superiores a meio bilhão de reais, mais que o dobro do prêmio da Mega-Sena. Criticados por Sidnei, os deputados querem mostrar serviço e, certamente, vão contemplar a cidade com recursos do Estado e da União. A ameaça de oposição na Câmara não passou de fumaça. Além de ter a ampla maioria no plenário, Alexandre fez barba e cabelo ao ver os aliados Jépy Pereira (PSDB) levar a presidência e Marco Garcia (PPS), a vice. Ambos foram eleitos com 13 dos 15 votos, inclusive, com o do PT.
Com esse céu de brigadeiro, só se cometer grande bobagem – o que não parece provável – Alexandre não fará bom governo.
CADÊ O ARY?
O ex-vice Ary Pedro Balieiro (PTB), que fez campanha para Ubiali (PSB), ignorou a solenidade de posse e não fez questão de comunicar que não participaria. Valéria Marson anunciou o nome dele para a mesa de honra e, depois, o da mulher dele, Maria Ignês, para receber um arranjo de flores. O silêncio foi a resposta. Coincidência ou não, ao concluir seu discurso, logo em seguida, Fernando Baldochi soltou esta: “Franca vai ter vice prefeito”.
FAZ DE CONTA
Ary apareceu na transmissão de cargo que aconteceu no Teatro Municipal. Sidnei Rocha agradeceu a ajuda dele para o sucesso dos três mandatos. “Quando não incentivou, não atrapalhou.” Aparentemente tocado pelo espírito de renovação do ano novo, Sidnei negou desavenças com o vice, que reclamou publicamente de ser encostado na administração: “A impressão é de que não nos damos bem, mas existe um amor como o de marido e mulher, com algumas rusgas nunca declaradas”. Todos acreditaram.
ME INCLUA FORA DESTA
Coordenador regional do PSDB, o deputado Roberto Engler não foi à posse do tucano Alexandre e novos vereadores. Desconheço os motivos. Gilson de Souza (DEM), que apoiou a candidatura de Graciela (PP), marcou presença e abriu as portas do seu gabinete na Assembleia para Alexandre. “Tenha este deputado como um parceiro. O que passou, passou.” Ubiali (PSB) também não foi à posse, mas deu as caras no ato de transmissão de cargo.
EM NOME DO PAI
O pastor Otávio (PTB) começou bem o ano. Durante discurso, desejou boa sorte ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e ao vice ‘Milton’ Baldochi. O ex-deputado estadual Milton, como todos sabem, é o pai do Fernando vice-prefeito. Milton sentou-se na mesa de honra a exemplo dos pais de Alexandre, e chorou quando o filho o agradeceu pela educação recebida.
CADEIRA CASSADA
Eleito após ter sido cassado por infidelidade partidária, Marco Garcia (PPS) foi esquecido e ficou sem assento na cerimônia de posse. Havia apenas 14 lugares para os 15 eleitos. Marco foi socorrido por um colega da imprensa que emprestou uma cadeira reservada aos jornalistas. Ele conseguiu se sentar, mas ficou grudado em Zezinho Cabeleireiro, seu companheiro de partido.
‘QUEM GOSTARIA?’
Alexandre Ferreira ligou de seu gabinete à Secretaria de Administração e pediu para falar com o titular da pasta. “Quem está falando?”, perguntou a secretária. Identificou-se gentilmente.
AH, NÃO!
Laércinho frustou as expectativas e tomou posse com um sóbrio terno escuro e discreta gravata. No discurso, dedicou o mandato à mulher, Lúcia Cristina, que “empresta o marido para o trabalho social”, mas a culpou por seu visual. “Ela me contrariou e não me deixou tomar posse com o terno bonito.” Disse ter oferecido R$ 1 mil, R$ 2 mil e chegou a R$ 5 mil para fazê-la mudar de ideia, mas não houve acordo por causa de dívidas anteriores, não pagas à patroa. Pretendia ser empossado com terno rosa.
FALA MUITO!
O cerimonial da Câmara estipulou três minutos para cada vereador discursar no longa solenidade de posse. Vergara (PSB), que voltou à Câmara após 12 anos, mostrou que estava com saudade do microfone e culpou o cronômetro ao ser alertado que havia estourado o limite. “Meu tempo equivocou, não?”. Não.
APLAUSOS, POR FAVOR
Sétimo a discursar, Josivaldo Bahia (PTB) também reclamou, mas com a recepção fria da plateia ao ter o nome anunciado. “Por que não bateram palmas para mim como fizeram para os outros?” É que o povo já estava se cansando.
CAIXA DE MENSAGENS
A coluna teve acesso a um dos primeiros atos internos baixados por Alexandre Ferreira. A portaria 003/2013 estabelece que o assessor Marcelo Facuri tenha que atender o celular. Ou, pelo menos, retornar os recados.
ESTE CARA É ELE!
Vamos sentir falta do Sidnei Rocha. Sua última frase como prefeito, direcionada a Alexandre, entrará para a história: “Para você, este cara sou eu”.
Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.