O novo ano começa. O que queremos para esse novo período de nossas vidas? A maioria responderá sobre saúde, paz, amor, alegria, dinheiro etc... A lista é infinita. Dinheiro continua sendo uma das preferências nacionais. Pode-se viajar, comprar, ser livre e independente.
O que se busca, na essência, é ser feliz. E o que se esquece, é que felicidade só se encontra na liberdade de poder escolher o que fazer, e como, assumindo as responsabilidades da escolha. Quantos de nós compramos coisas apenas para ter reconhecimento dos outros, ou falamos determinadas falas só para nos sentirmos aceitos pelo grupo, ou ainda, deixamos de falar só para não sermos rejeitados? O que, então, de fato queremos?
Podemos listar nossos desejos com perguntas, e para cada uma, formular uma declaração do que realmente queremos. O engraçado é que quando vamos fazer a lista, quase sempre pensamos no outro – ou alguém – como responsável por nossas ações. Exemplifico: queremos ser reconhecido ‘pelo patrão’, ‘pela esposa ou pelo marido’, pelos ‘colegas de trabalho’, ‘pela namorada’. Queremos fazer o que queremos, por causa de outra pessoa. O ideal é sempre lembrar que ninguém pode nos dar o que não podemos dar a nós mesmos. Repito que somos os únicos responsáveis por nossas escolhas e desejos.
É necessário aceitar a verdade, ter disposição para confiar em nós mesmos. Não há como fazer planos com mente e coração repleto de verbos conjugados no passado. O passado deve servir apenas como suporte para ver o que deu certo ou errado. Comecemos pelo presente, apoiados em experiências do passado, rumo ao futuro que nos espera e que certamente será da forma como vivenciarmos os acontecimentos. Temos que saber que de fatos dolorosos sempre restará alguma alegria. Temos que lembrar que tudo passa, situações, pessoas, bens, cargos, amigos. Quanto tudo passar restará apenas você, com você mesmo.
No recesso forense fiz uma faxina no escritório. Não dá imaginar a quantidade de pó que se espalha por livros. Vi que haveria muita dificuldade para limpara toda aquela literatura. Contratei uma faxineira. Enquanto ela tirava o pó dos livros, fui verificando o quanto conhecimento que eu havia acumulado a partir deles, e o quanto ainda me falta. Utilizando o caso como metáfora.
É necessário fazer limpezas – reformas – constantes em nossos conceitos, preconceitos, juízos de valor moral, éticos. Ou seja, é indispensável fazer faxina em nossa vida pessoal e profissional, iniciando pela retirada do pó – aquilo que não é útil mas carregamos conosco indevidamente.
É necessário retirar o pó da visão para sair da escuridão,ter acesso à luz, ver o horizonte. Retirar o pó do coração para perdoar os outros e a nós mesmos, pois falta de perdão nos torna repletos de amargura e nos prende ao passado.
Temos inteligência, sabedoria, cultura, mas não somos perfeitos, somos seres faltantes, incompletos. Reconhecer ajudar a tirar muito peso das costas. Então, resta o que fazer a partir deste novo ano: nos conhecer. Se isso se der, seremos mais felizes. A reforma pessoal é o melhor caminho.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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