Exemplo para famílias


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A Igreja vive o especia tempo litúrgico do Natal: celebramos o nascimento de Jesus, nosso Salvador

Hoje vivemos a celebração da Sagrada Família, a família de Jesus, Maria e José, modelo e exemplo para todas as famílias. É dia especial para pedir: “Abençoa, Senhor, as famílias; abençoa a minha também”. (Pe. Zezinho). Para meditar sobre a Sagrada Família e nossas famílias, a Palavra de Deus vem nos ensinar. Meditemos.

PRIMEIRA LEITURA — ECLESIÁSTICO 3
O livro de Sirac, ou Eclesiástico, é do Antigo Testamento. Contém muitos conselhos valiosos para todas as situações da vida. Boa parte é dedicada à vida familiar, aos deveres do marido e da esposa, aos deveres dos filhos para com os pais e vice-versa.

No tempo de Jesus, o livro de Sirac era usado pelos mestres das escolas para educar os alunos e também os cristãos o apreciavam muito, a ponto de, depois dos Salmos, ser o livro mais lido de todo o Antigo Testamento. O trecho que consta na primeira leitura de hoje nos fala dos deveres dos filhos em relação aos pais, deveres que podem ser resumidos numa única palavra: “honrá-los”. O que ela quer dizer?

Antes de tudo que a vida dos filhos deve ser tão boa, tão íntegra, tão correta que os pais, sempre que ouvem falar dos filhos, possam de fato sentir-se “honrados”. Significa também que devem ajudá-los economicamente e apoiá-los quando estiverem necessitados. É muito agradável a Deus o amor dos filhos para com os pais. Isto se deduz claramente das inumeráveis promessas de bênçãos dirigidas àqueles que dedicam seus desvelos em favor do pai e da mãe: acumularão tesouros diante de Deus, quando orarem sempre serão atendidos, terão uma vida longa e filhos exemplares e, se tiverem cometido algum pecado, este lhes será perdoado.

Não se ama uma pessoa porque ela é boa, mas amando-a é que a ajudamos a tornar-se boa. Se isto vale para todos, vale sobretudo em relação aos próprios pais. Amá-los não significa aceitar que façam tudo o que quiserem, mas sim compreendê-los e ajudá-los a serem felizes. Também os filhos nem sempre se comportam de forma exemplar e, não obstante, os pais não desanimam nunca e esperam que possam se corrigir. É evidente que diante de hábitos ou comportamentos que não se consegue mudar...não resta outro caminho senão a paciência!

SEGUNDA LEITURA — COLOSSENSES 3
A roupa é importante na nossa vida; é como o prolongamento do nosso corpo: faz nossa diferença com os animais, que andam nus, revela nossos gostos e nossos sentimentos, manifesta a todos se estamos alegres ou tristes. Na leitura deste dia São Paulo ensina que os cristãos devem vestir-se com roupa bonita, elegante, agradável aos olhos de todos. Qual é ela?

Trata-se de uma roupa muito preciosa e rara, feita de sete tecidos: “Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, de tolerância, de perdão recíproco. Mas ainda não é o bastante.

É preciso cingir-se com cinto que dê um toque de distinção e de perfeição a tudo o mais: a caridade. Esta não se reduz a uma vago sentimento, mas se manifesta numa postura permanente de serviço ao irmão, de disponibilidade para sacrificar-se por ele.

Essa roupa não é exclusiva somente de alguns: todos os cristãos devem vestir-se com ela, homens e mulheres, padres, freiras e leigos; deve ser mantida dia e noite, nunca se pode tirá-la. Na segunda parte da leitura, Paulo aplica a lei do amor ás relações entre os membros da família cristã.

Na parte central da leitura, são indicados alguns meios indispensáveis para conseguir o entendimento entre todos os membros da família: a oração em comum, o diálogo e as exortações recíprocas.

Os últimos versículos contêm algumas recomendações condensadas: obedeçam os filhos aos pais, mas estes não exasperem os filhos com atitudes egoístas, exaltadas, irritantes.

EVANGELHO — LUCAS 2
O texto do evangelho de Lucas acentua a relação de Jesus com o Pai, sinalizando que sua missão ultrapassa os limites da família a que pertence pelos laços de sangue. Jesus participa com os pais da peregrinação a Jerusalém, para celebrar a festa da Páscoa.

Terminada a festa da Páscoa, que costumava durar sete dias, José e Maria tomam o caminho de volta a Nazaré da Galileia. Jesus permanece em Jerusalém e os pais notaram sua ausência entre os companheiros de viagem. Então, voltam a Jerusalém e, após três dias de procura, o encontram sentado entre os mestres da Lei, participando ativamente do ensinamento ministrado nos átrios do templo.

As pessoas, que acompanhavam o ensinamento dos mestres da Lei, ficavam maravilhadas com a sabedoria de Jesus. Aos pais aflitos que o procuravam, Jesus revela o sentido de sua missão: “Não sabíeis que devo esta na cada de meu Pai”. Depois disso, Jesus volta com os pais para Nazaré e continua vivendo na obediência filial, prefigurando sua doação total por amor, como servo obediente ao Pai. Maria guardava todas estas coisas no coração.

Como modelo de discípula, ela conserva a palavra e os acontecimentos para compreender a missão do Filho. “Jesus ia crescendo em sabedoria , idade e graça diante de Deus e dos homens”, colocando-se, desde a infância, totalmente a serviço da vontade do Pai, revelada nele pelo Espírito Santo. A romaria a Jerusalém prefigura sua caminhada final até lá, onde culmina sua missão salvífica.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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