Periguetes


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O modernismo nas cidades, às vezes, impõe sérios prejuízos. Já não há espaço para a meninada subir em árvores, jogar bola na rua, brincar de pique, rodar pião, soltar pipa, jogar queimada, enfim, exercitarem centenas de brincadeiras e folguedos que, além de saudáveis, faziam a felicidade das crianças de antigamente.

Atualmente, os pais delegam a educação dos filhos a terceiros. Como disse a consagrada psicóloga e colunista da Folha de S. Paulo, Rosely Saião (caderno Equilíbrio, edição do último dia 23), ‘terceirizaram’ a convivência familiar’. Hoje, quem cuida é a babá, o videogame, a televisão, por conseguinte, as crianças estão deixando de ser crianças, verificando as áreas especializadas em educação e terapia infantis que a maturidade sexual está ocorrendo cada vez mais cedo.

Não se é de estranhar. Absortas pelas atividades próprias da infância, as crianças de ontem estavam livres da sedução a que se submetem as de hoje. O cinema e a televisão se liberaram em nome da liberdade de pensamento, e a insensatez dos pais exibe ou deixa que se exiba nos lares o que antes só se via nos prostíbulos, construindo desde cedo no psiquismo dos filhos um conceito de sexo libertário e irresponsável.

E há, na atualidade, um agravante sócio-familiar de natureza psicológica lamentável: mães projetam nas filhas, com a anuência dos pais, que, por sua vez, projetam nos filhos, suas próprias frustrações. Exibição da plástica feminina é agora moda infantil! As mães estimulam suas filhas ainda crianças de 8, 10 anos, a se vestirem na moda das ‘periguetes’, substantivo que designa mulher vulgar, fácil e astuciosa, cujo modo de vestir-se baseia-se, especialmente, na exposição acentuada dos dotes corporais femininos.

São inconveniências já, em si mesmas, um tanto graves, mas vêm acompanhadas de um agravante igualmente muito atual: pais estão promovendo o que chamam ‘baladinhas’, para que seus jovens possam divertir-se. Tudo estaria muito bem não fosse a realidade indutiva da liberdade irresponsável, com a moçada contorcendo-se em ritmos alucinantes, como que numa atualizada cópia dos bacanais dionisíacos, berço esplêndido do consumismo de álcool e outras drogas de consequências angustiosas.

Lembro-me que, na meninice, na juventude e na escola do nosso tempo, quando se pensava em festas, sempre surgia a ideia de se fazer um programa de calouros, um desfile de modas, ou a imitação de uma atividade jornalística qualquer. Hoje, é lastimável a falta de imaginação.

As crianças – que se repita – não são adultos em miniatura, e sim espíritos que retornam num corpo físico para progredir moralmente e não para viver experiências involutivas. Precisam de bons exemplos por parte dos adultos, porque, assim como aquelas, estes têm sérios direitos e deveres a cumprir. Direitos, porque livres para agir, deveres porque responsáveis pelas ações que praticam, cumprindo-lhes guiar as crianças para Jesus, como Ele o recomendou: ‘Deixai vir a mim as criancinhas. Não as impeçais.’

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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