Demissões em queda


| Tempo de leitura: 2 min

Tradicionalmente, boa parte das empresas calçadistas francanas sempre dispensou seus funcionários no final do ano para depois tentar recontratá-los no ano seguinte. A despeito dos motivos que levaram ao surgimento e à consolidação dessa prática gerencial bastante defasada e perigosa para qualquer tipo de empresa nos dias de hoje, essa era uma realidade que parecia resistir em quase todo o setor calçadista, algo enraizado em uma cultura organizacional conservadora e pouco afeita às mudanças, da qual poucos empresários conseguiam escapar.

Mas, para o bem da cidade e de todo o setor parece que essa prática está perdendo sua força. Matéria publicada por este Comércio na quarta-feira, 19/12, mostra que as tradicionais demissões de final de ano despencaram radicalmente. De acordo com os dados divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados de Franca houve uma redução de 70% no número de demissões em dezembro desse ano, levando-se em consideração igual período de 2011. Se comparada a 2010, essa redução chega a 90%, o que deixa bastante claro que muitos ‘sapateiros’ estão conseguindo levar seus empregos para o ano seguinte.

Nesse contexto específico, esses números explicam-se principalmente pelo aumento das vendas no mercado interno, alavancadas pelo bom momento da economia brasileira, por uma série de benefícios concedidos pelos governos federal, estadual e municipal e pelo crescimento do pequeno varejo, que hoje em dia se aproveita da maior rigidez na concessão de crédito para a compra de bens de consumo duráveis.

Mas, apesar desse cenário positivo vivido pela indústria calçadista de Franca, é bom insistir em algo que já mencionamos repetidas vezes nesse mesmo espaço. Se os empresários da cidade não aproveitarem esse momento de benefícios e expansão do mercado interno para se aprofundarem nas mudanças e nos investimentos que precisam ser feitos em suas empresas para torná-las mais competitivas e eficientes, todo esse avanço pode se perder rapidamente, uma vez que a dinâmica dos negócios no mundo globalizado não suporta mais a lentidão conservadora de muitos de nossos empresários, exigindo decisões e atitudes rápidas e concretas em direção às mudanças organizacionais que se fazem imprescindíveis para se competir no mercado atual.

De forma geral, esses números não mudarão em nada o cenário e as tendências da indústria calçadista mundial, pois como dizem os economistas, os números, quando bem torturados, confessam qualquer coisa. Se os empresários francanos ficarem presos a eles, sem perceberem que suas alterações dependem de uma postura empresarial embasada em modernas técnicas de gestão, em tecnologia e em investimentos mais inteligentes em recursos humanos, infelizmente poderão perder mais essa oportunidade de crescer com consistência, pois estarão mais apegados a aspectos conjunturais do mercado do que aos aspectos estruturais de seu setor de atuação, esses sim fundamentais para a sobrevivência de uma empresa.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários