Acidentes com animais peçonhentos - como aranhas, cobras, taturanas e escorpiões - têm deixado todos os dias uma pessoa ferida na região de Franca, segundo balanço divulgado nesta semana pelo Instituto Butantan e Secretaria Estadual da Saúde. Até setembro deste ano foram 290 casos registrados, a maioria provocado por escorpiões. Ao longo de todo o ano passado foram 448 ocorrências. O Estado não revela o número de mortes, no entanto, na última sexta-feira, dia 21, uma criança de seis anos morreu ao ser picada por um escorpião na chácara em que morava na rodovia João Traficante, entre Franca e Ibiraci (MG).
A apresentação dos números tem relação com o aumento dos casos nesta época do ano, já que com o aumento do calor e do tempo chuvoso, a possibilidade de ataques se torna mais corriqueira. Entre as explicações estão o fato de ser um período de reprodução dos animais e com maior quantidade de alimentos. “Nos últimos anos os acidentes com escorpiões vêm aumentando. Atualmente são registrados mais de 50 mil e são acidentes muito mais urbanos”, disse o biólogo e diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan, Giuseppe Puorto.
Depois dos escorpiões, que foram causadores de 225 registros de picadas na região no período de nove meses, a aranha foi o animal mais perigoso. De acordo com os números divulgados, houve 34 casos de janeiro a setembro deste ano (veja quadro completo nesta página).
Segundo a assessoria da Secretaria Estadual da Saúde, os acidentes deste tipo crescem em torno de 30% de agora até março. “É muito importante que as pessoas saibam como proceder nestes casos. Diferentemente do que se costuma ouvir, não se deve amarrar o local do ferimento, já que isso pode produzir necrose e não evita a disseminação do veneno”, diz nota enviada pela secretaria.
De acordo com Puorto, entre as principais dicas em caso de picadas com animais peçonhentos estão manter a calma, inclusive de quem estiver ao lado, lavar o local atingido com água e sabão, evitar que o acidentado ande ou corra e procurar um serviço médico o mais rápido possível. “Nos acidentes com animais peçonhentos, os erros mais comuns são os usos de práticas caseiras que, além de retardarem o atendimento médico, podem evoluir para um quadro mais grave. O tempo é o fato mais importante, e crianças até 15 anos podem ser mais sensíveis.”

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