Em sua tradicional mensagem de Natal, lida dias antes da festa no Vaticano a seus funcionários, o Papa Bento XVI foi incisivo nas metas cristãs-católicas para o próximo ano.
Se o mundo não acabou pela profecia maia, para alguns, confirmada a atuação que pretende incitar o Santo Papa, pode se dar o fim de seus mundos particulares.
Classificando o casamento gay como ‘ameaçador à dignidade humana e ao próprio futuro da humanidade’, o Papa prometeu promover alianças com muçulmanos, ateus e até judeus no combate (termo originalmente utilizado pelo pontífice) aos gays e à luta por seus direitos sociais.
As reações pelo mundo foram de todos os tipos e não era para ser diferente. A notícia de que a Igreja deseja combater determinada parcela de pessoas, seja em seus direitos sociais, seja em sua autodeterminação, soou em alguns lugares como um retorno aos prévios discursos da ‘santa’ Inquisição. Fato é que unir-se a extremistas islâmicos que perpetuam guerra religiosa, ainda que não incentivada pelo Corão, mas sejam algumas jihads ‘inevitáveis ou justificáveis para a preservação dos princípios islâmicos’ parece-me com sentar-se à mesa santa para traçar uma caçada ao homem quando se deveria, na verdade, incentivar a paz dos povos.
Tantos outros pontos a Igreja poderia combater... Seria mais efetivo e louvável se combatesse, com tamanha incisividade, a fome e a pobreza na África, a pedofilia no mundo (ao invés de querer traçar, com ela, paralelo entre a adoção de crianças por casais gays). Triste é saber que poucos serão aqueles que não se cegarão e dirão ‘amém’ a tudo que determinar o Sumo Pontífice.
A Igreja tem função social e é inegável. Entretanto, deturpar sua função junto às grandes massas não se revela nem um pouco santo. Pelo contrário, ao promover julgamento sobre os homens tomam a função de Deus que é o único que conhece profundamente o íntimo de cada um e pode valorá-lo.
É triste perceber que para a Igreja melhor seria crianças abandonadas em orfanatos e casas de abrigo sem alguém que pudesse dar-lhes o lar proporcionado por um novo modelo de família que, socialmente, tem capacidade de exercer o mesmo papel das tradicionais famílias. Triste ainda perceber que o amor entre as pessoas é condicionado a limitações impostas pela sociedade e incentivada pela Igreja. Jesus Cristo teve limites para amar? Amou até mesmo uma prostituta que naquela época era o asco social da comunidade...
Se existe, realmente, preocupação com nossas crianças, cuidem das falas e discursos que usam em igrejas... Há crianças sentadas nos bancos das congregações que escutam dia após dia o ‘combate’ a certos grupos sociais. Preferiria que soubessem amar ao próximo como a si mesmos, não importando o que pensem ou gostem, já que, exemplarmente, o Cristo nos ensinou que o julgamento é do Pai e não do Papa.
Deny Eduardo Pereira Alves
Presidente do Conselho Municipal da Juventude, estudante da Faculdade de Direito Municipal
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