Apesar de Franca ser uma cidade bastante religiosa, parece que seus habitantes já não obedecem cegamente aos ditames de suas respectivas igrejas. Pelo menos no que diz respeito à indissolubilidade do casamento, uma característica específica das doutrinas cristãs. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a frase ‘o que Deus uniu o homem não separa’ já não é um consenso na cidade.
De acordo com o estudo, o crescimento no número de divórcios na cidade ficou acima da média nacional. Se em todo o Brasil houve um aumento de 45,6% em relação ao ano de 2011, em Franca esse número chegou a 52,6%, com mais de 1.000 uniões desfeitas.
As explicações para essa mudança de comportamento não são facilmente encontradas. Talvez porque não obedeçam a uma única causa, mas a uma série de transformações que vão aos poucos impactando os costumes e as regras do convívio social.
Dentre essas transformações, com certeza a mudança na lei do divórcio em 2010 foi bastante significativa. Agora qualquer casal pode se divorciar sem ter que se separar judicialmente durante o período de um ano. Porém, com certeza ela não explica sozinha todos esses casos.
De certo modo, é possível inferir que a intensa materialização da vida moderna tem priorizado as coisas em detrimento das pessoas e do próprio relacionamento entre elas. Como consequência, a sociedade parece experimentar a diluição dos laços familiares ante a pressa e a correria do nosso cotidiano, quase todo ele voltado para o prazer, o entretenimento e à aquisição de bens materiais.
Nesses tempos modernos, as pessoas se mostram também menos tolerantes, não apenas no sentido da violência, mas também na falta de paciência para reorganizar os relacionamentos que vão se desgastando com o tempo, algo completamente normal em todas as sociedades humanas.
Além disso, o imediatismo da vida contemporânea parece também contribuir para o fim daquela união que um dia pareceu bastante apaixonada e realmente indissolúvel. Para as gerações atuais, 30, 40 ou 50 anos de casados parece uma eternidade, difícil de ser encarada em uma sociedade que oferece muitas possibilidades de novos encontros e novas experiências.
Mas há outro fator importante a ser considerado. A independência financeira da mulher atual tem influenciado muitas esposas a desistirem de seus casamentos. Se antigamente elas aguentavam os maltratos ou as traições porque dependiam financeiramente de seus maridos, hoje já não precisam suportar esses constrangimentos.
De qualquer forma, e a despeito das crenças e da fé de cada um, parece que o casamento cada vez mais perde força quando o assunto é ‘para sempre’. Em busca de sua felicidade, as pessoas estão passando por cima de tradições ou imposições. E isso não é ruim. Na verdade, é claro que todos sonham, em algum momento, com a união eterna, mas quando ela se mostra inviável, é melhor a separação do que as brigas constantes ou, tanto pior, a insatisfação e a infelicidade.
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