A capacidade técnica e a lealdade aos companheiros foram os critérios usados para compor o novo governo municipal. Ao montar sua equipe de trabalho, Alexandre Ferreira (PSDB) ignorou o fator político e não deu espaço para os aliados da campanha eleitoral. Nenhum integrante de outros partidos foi aproveitado no alto escalão anunciado na última sexta-feira. O PSB e o PTB, que apoiaram os tucanos no segundo turno, esperavam ser recompensados com pelo menos uma secretaria cada. Vão ter que se contentar com cargos de menor expressão. O descarte nos parceiros pode colocar em risco o cenário de brigadeiro que aparentava esperar pelo prefeito eleito na Câmara.
Alexandre Ferreira disse que não fez promessas de cargos e que não loteou seu governo em busca de apoios que o levassem à vitória no segundo turno. “Eu sou um técnico. Não tenho histórico político. Gosto muito de resultado e resultado tem que ser com técnico. Por outro lado, durante a campanha nenhum partido forçou a gente a nada”. Completou dizendo que o apoio recebido foi incondicional. “Os partidos vieram porque entenderam que tínhamos a melhor proposta para a cidade”.
O futuro prefeito afirmou que a escalação de seu secretariado é um sinal de que o único compromisso que fez foi com a população e não com legendas. “Sempre falei isso: governo é feito de pessoas e não de partidos. Se tiver gente boa, inclusive, de partidos que não estão conosco, com o perfil que precisamos, não teremos dificuldade nenhuma em trazer”.
Apesar de abrir as portas da administração para aliados ou não, Alexandre Ferreira ressaltou que não tem muito a oferecer por conta da estrutura enxuta e da baixa arrecadação da Prefeitura. “Não podemos ficar criando secretarias, como o governo federal fica criando ministérios para por todo mundo. Não temos dinheiro para isto. Não dá para trocar tudo mundo e começar do zero. Se agirmos assim, seria a mesma coisa que se tivesse entrado a oposição no governo”.
Com o alto escalão dominado pelos tucanos e assessores que já integram o governo municipal, vão restar para os aliados apenas vagas de ajunto nas secretarias ou cargos nos segundo e terceiro escalões. Cenário muito diferente do que pretendiam.
Em troca do apoio, o PTB esperava ganhar a presidência da Prohab. A empresa, responsável pela construção de moradias populares e que rende expressivo retorno político, permaneceu nas mãos de João Marcos Rodrigues, homem de confiança de Sidnei Rocha há mais de três décadas. “Não vou negar que ficamos surpresos. Havia uma conversa para que a gente ficasse com a Prohab. Gosto que acordos sejam cumpridos. É prematuro falar em rompimento. Vamos aguardar”, disse César Mamede, presidente da legenda.
O PSB sonhava em assumir a Secretaria de Desenvolvimento, pasta em que trabalha como comissionado Carlos Ubiali, irmão do deputado federal. Os socialistas ficaram na mão, já que Carlos Arantes foi mantido no cargo. Em público, não houve reclamações. “A primeira reivindicação era que nossas propostas fossem aproveitadas pelo Alexandre, o que deverá acontecer. Estamos tranquilos e acho que a montagem do secretariado foi normal”, disse Luiz Antônio Cordeiro, presidente do partido.
Tanto o PSB quanto o PTB haviam fechado com Jépy Pereira e declarado apoio ao vereador do PSDB nas eleições para presidente da Câmara, marcadas para o dia primeiro de janeiro. A frustração de terem ficado fora do alto escalão do governo pode fazer com que o movimento de uma candidatura alternativa lançado na semana passada ganhe força.
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