Praça abandonada


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Mais uma vez somos obrigados a voltar ao tema. Talvez isso incomode a alguns leitores, mas é sempre bom lembrar que esse é o fardo do jornalismo diário. Às vezes parece um pouco repetitivo, mas a causa dessa repetição não está no jornal. Em sua essência, ela está nos fatos sociais que insistem em se repetir sem que ninguém consiga encontrar uma solução para eles. Dessa forma, não resta aos jornalistas outra saída, a não ser continuar mostrando a recorrência desses fatos e o impacto que eles trazem para a vida das pessoas, uma vez que o jornalismo existe para repercutir os assuntos que permeiam a sociedade e todos os seus conflitos de interesses.

É o caso das praças abandonadas de Franca. Já tratamos disso em várias matérias, mas parece que não há meio de se acabar com esse problema. E o pior é que suas consequências continuam complicando a vida dos moradores que são obrigados a conviver com animais peçonhentos invadindo suas casas, usuários de drogas que por ali se instalam e com o lixo que é indiscriminadamente jogado nesses locais pela própria população.

O resultado de tudo isso é uma inversão de funções. Espaços que deveriam ser reservados ao lazer e ao entretenimento transformam-se em transtorno e ameaça para os moradores desses entornos.

Mas a questão, infelizmente, não é tão simples como parece. É claro que praças e parques são espaços públicos sob a responsabilidade do poder público. Nesse sentido, é de se esperar que a Prefeitura tome as providências necessárias para que esses espaços urbanos cumpram integralmente as funções para as quais foram criados.

Nos dias de hoje, entretanto, as praças já não atraem as pessoas como antigamente, a não ser que sejam as praças mais centrais e antigas, geralmente cercadas por uma área de comercial de intenso movimento. Espaços verdes, montados apenas com bancos e outros equipamentos mais simples, já não atraem ninguém. Atualmente, as pessoas preferem o aconchego da casa ou a funcionalidade de um bar ou loja de conveniência. A despeito da idade, estão mais concentradas na televisão e na internet, uma espécie de praça online e internacional que permite uma gama maior e mais intensa de relacionamentos e experiências.

Para reverter esse processo de esvaziamento de praças será necessário um trabalho diferente por parte da sociedade e dos poderes públicos. Será preciso mais inteligência e menos promessas de limpeza, pois as pessoas só voltarão a ocupar esses espaços quando eles oferecerem algo mais interessante do que hoje oferecem.

De qualquer forma, enquanto esses diferenciais não são criados, é imprescindível que a Prefeitura mantenha esses espaços livres de ameaças e transtornos aos moradores. Já que o poder público os criou, precisa também cuidar. Na mesma medida, é necessário que o cidadão desenvolva consciência a respeito de um espaço que lhe pertence e à comunidade. Que o respeite, que não o suje, não o vandalize. Mas isso, infelizmente, é mais difícil.

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