59% dos mendigos de Franca já cometeram crimes ou foram presos


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Mônica Aparecida, que mora na rua com o filho Alysson Chaves; ambos dizem nunca ter se enolvido em crimes
Mônica Aparecida, que mora na rua com o filho Alysson Chaves; ambos dizem nunca ter se enolvido em crimes

Das 156 pessoas que vivem nas ruas de Franca, 92 (ou 59%) já estiveram presas ou tiveram passagens pela polícia. Os dados são de pesquisa realizada pelo Datalink, entre os dias 25 de outubro e 16 de novembro deste ano, encomendada pela Secretaria de Ação Social. Ainda de acordo com as estatísticas, dos 92 entrevistados, a maioria praticou furtos (30,8%), se envolveu com o tráfico de drogas (19,9%) ou com roubos (19,2%). Neste ano, as abordagens da Polícia Militar a moradores de rua causaram polêmica e discussão na cidade (leia texto nesta página).

Segundo o secretário Roberto Nunes Rocha, responsável pela Ação Social, grande partes dos moradores de rua tem casa, mora em Franca, mas encontrou a rua como fuga dos problemas. Segundo o levantamento do Datalink, a maioria dos entrevistados está na rua há mais de um ano, vive em praças da cidade e está sozinho (sem amigos). Entre os motivos mais citados para se tornar morador de rua estão o uso de drogas (55,8%), desavenças familiares (44,9%) e uso do álcool (33,3%). Dos que disseram ter passagem pela polícia, apenas dois não passaram pelo sistema penitenciário.

O estudo foi encomendado para nortear os trabalhos da Busca Ativa, ação realizada pela Prefeitura. Seis funcionários (entre psicólogos e assistentes sociais) conversam e convencem os moradores de rua a ir para o abrigo provisório, onde recebem comida, roupas e até atendimento médico. “É um serviço rotineiro. Não tem fim. Não é porque a pessoa teve ajuda e voltou [para a rua], ou não quis, que nós vamos desistir. O poder público não pode desistir”, disse Nunes Rocha.

HISTÓRIAS
Mônica Aparecida, 49, e Alysson Souza Chaves de Campos, 23, mãe e filho, abandonaram a casa da família, na Vila Raycos, há mais de um ano. Hoje vivem com um grupo de dez pessoas na Estação, em frente à Viação Cometa. Alysson deixou o convívio familiar por causa do crack. Mônica, alcoólatra, encontrou nas ruas uma maneira de não abandonar o filho.

O rapaz começou a usar drogas aos 12 anos e não parou mais. “Minha mãe separou do meu pai já faz um tempo, foi onde eu me envolvi com droga. Eu fumei maconha, uma coisa foi puxando a outra e eu fui perdendo o controle. A pessoa que entra nisso perde a cabeça, a vontade de viver”, lamentou Alysson, que trabalhava de mecânico. Hoje, além de pedir dinheiro, ele entrega panfletos. “Eles me pagam e eu compro crack para fumar, eu não aguento ficar sem.”

Mônica tomou o mesmo caminho e deixou para trás seus outros dois filhos e três netos. “Agora meu filho bagunçou e eu baguncei também. Eu só bebo pinga”, disse Mônica, ressaltando que nunca usou crack. Para ela, a única coisa ruim de morar na rua é o frio. Diz ser difícil arrumar cobertores. O resto ela consegue com doações e pedindo dinheiro para quem passa pela região. “Nós temos de tudo, temos comida, temos roupa. Dizem que quem vive na rua sofre. Sofre nada.” Os dois disseram não ter passagem pela polícia. Nem vontade de voltar para casa.

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