Fico realmente estupefato com nossas autoridades. A receita é anual, mas nossas autoridades fazem seus ouvidos moucos. Novamente, a Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas fez estudo da confiabilidade das instituições brasileiras, envolvendo 3300 pessoas em oito estados brasileiros, que representam 55% da população – Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
A primeira constatação séria envolve a Justiça: 90% dos brasileiros consideram-na morosa; para 82%, é cara e, para 64% o Judiciário é desonesto.
Porém, ao atribuir notas de 0 a 10, os cidadãos que procuraram a Justiça atribuíram nota 8,7, enquanto que os que só têm percepção quanto a rapidez, honestidade, neutralidade e custos, atribuíram nota 4,1.
Certamente se vê a imprensa noticiar a lentidão da Justiça e a baixa punição de criminosos. Ouço isso há pelo menos quarenta anos e nunca entendi porque não se aumenta o número de juízes e promotores...
O estudo também mostrou que não há satisfação com a polícia. A instituição foi apontada como confiável por 39%, mesmo índice do Judiciário. A insatisfação chega a 63%. Dado curioso: entre os mais pobres, o índice é de 65% e entre os mais ricos, 62%. Ou seja, há unanimidade de insatisfação entre ricos e pobres.
A imprensa também nos alerta sobre os baixos índices de solução de assassinatos e roubos. Nesse caso, a polícia nem se dá ao trabalho de coletar digitais, só faz o registro. Solução? Uai, falta gente... contrata-se e qualifica-se gente!
E o que fazem os Estados? Muito pouco. Muitos estão aprendendo com o PT a fazer propaganda (eh, Goebbels fazedor de discípulos!) enquanto deveriam resolver o problema. Propaganda resolve?
O Datafolha realizou pesquisa com mais de 2,5 mil pessoas em 160 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Constatou que o governo da presidente Dilma Rousseff é aprovado (acham a administração ótima ou boa) por 62%. Mas é claro que a propaganda não faz milagre...
A saúde é considerada boa ou ótima por apenas 17% e os que reprovam a saúde pública são 52%. Já no quesito segurança, aprovam as políticas do governo Dilma somente 12% e a reprovação é de 62% (seriam os mesmos que a avaliam bem?).
O combate à corrupção foi considerado ruim ou péssimo por 44%. Já a educação e a economia tiveram a reprovação de 37%. Certamente quando o ‘PIBinho’ cair na boca do povo, a reprovação à economia piorará.
Por outro lado, o Datafolha verificou que a confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal cresceu, certamente por causa do julgamento do mensalão.
O STF foi a única instituição que teve aumento de confiança da população nos últimos quatro meses, e hoje está em 70%.
E quem andou perdendo confiança? Claro, né? Partidos políticos (11 pontos) e a imprensa (dez pontos). Porém, a imprensa tem 72%, enquanto que os partidos têm apenas 37%. A Presidência da República tem 81%, capital político suficiente para fazer ‘esta terra cumprir seu ideal, tornar-se um imenso Portugal’.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
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