O caso verídico de uma criança que nasceu tetraplégica, surda, muda e num lar desprovido de recursos levou uma amiga a nos perguntar: ‘Como justificar que essa criança tenha nascido sofrendo tanto, já que ainda não cometeu nenhum pecado?
Respondemos à querida amiga expondo-lhe uma realidade inerente a todos nós, mas que poucos conhecem.
Se a sua pergunta tivesse sido feita a um ortodoxo da Ciência, certamente ele responderia aduzindo conceitos presos aos parâmetros da matéria. Diria tratar-se de uma questão de DNA. A discussão, porém, requer cogitemos de estender nossa compreensão para antes e para depois da vida que analisamos.
Os não reencarnacionistas, que só observam do ponto de vista da unicidade da existência, entendem ocorrer com aquela criança simplesmente um caso de ‘azar’, visto que os seus irmãos são plenamente saudáveis, ou, se acreditam em Deus, veem, naquele sofrimento, simples manifestação da vontade do Criador, cometendo, por conseguinte, o lamentável equívoco da negação do mais conhecido aspecto da Justiça Divina: as reencarnações como sucessivas e misericordiosas oportunidades de nos redimirmos das faltas que cometemos e alavancarmo-nos no sentido evolutivo.
Quando dizem ‘Deus assim o quer’, não conseguem explicá-lo, acabando por atribuir à Suprema Providência a condição de má, injusta e caprichosa.
Muitas vezes, ainda, aconselham ao sofredor que se conforme com o seu infortúnio, sem, no entanto, explicar-lhe as razões por que sofre. Pode ser que não o façam por maldade, mas por indiferença, isto, porém, esbarra num sério problema: à humanidade dos nossos dias transformadores requer-se sensibilidade e decidida realização no amor.
É na insensatez da nossa conduta anterior que está a gênese dos nossos sofrimentos, como disse Jesus: ‘A cada um segundo as suas obras.’
O espírito daquela criança não nasceu com ela, já vive há milênios, livre para agir ‘e decerto que o haver transgredido as Leis Supremas é coisa do passado, mas Deus não poderia tê-la perdoado?’
Sabe-se que é unânime a aceitação da realidade do perdão divino, todavia, nem todos entendem que essa misericordiosa dádiva está configurada, justamente, nas sucessivas oportunidades reencarnacionais corretivas.
A nossa consciência, na qual está inscrita a Lei Divina, é instrumento a nos exigir, no devido tempo, a quitação compulsória dos nossos débitos, até que se nos instale o equilíbrio redentor.
Estamos sob o inegável impositivo das leis biológicas, a nos elevarem no cumprimento do desiderato evolutivo, mas não olvidemos que são as implicações psíquicas do mal é que nos afetam o perispírito, cujas lesões se nos refletem nos órgãos físicos.
Que observemos, por oportuno, que, em todos os casos como o da criança destas considerações, familiares e amigos estão, invariavelmente, envolvidos. A dor nos compele ao esforço pela evolução felicitante, mas não nos esqueçamos de que a caridade dos familiares e amigos - os próximos mais próximos -, é que representa o remédio que vem de fora a contribuir para a cura de todos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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