O ex-presidente Lula parece viver um inferno astral. Apesar de estar passeando e discursando pela Europa, onde sua imagem e sua história de migrante e operário pobre e bem sucedido ainda conservam certo prestígio, aqui no Brasil sua situação vai ficando cada vez mais difícil.
Se já não bastasse o mensalão, agora passou a enfrentar um escândalo muito pior, a operação Porto Seguro, que promete agitar a calmaria das águas tranquilas em que parecia navegar. Se do primeiro caso se safou sem ter que dar muitas explicações, mesmo tendo que ouvir aqui e ali muitas vozes discordantes, inclusive a do principal acusado, o publicitário Marcos Valério, que já deixou ventilar pela imprensa que há muito mais coisa entre Lula e o mensalão do que pode imaginar a nossa vã filosofia, parece que agora o ex-presidente vai ter que procurar boas desculpas para explicar suas relações com Rosemary de Noronha e o restante dessa quadrilha.
Dentro de todo esse imbróglio, seria bom que Lula começasse explicando porque era necessário manter um gabinete da Presidência da República na cidade de São Paulo, em plena era da comunicação em tempo real, da videoconferência ou da rádio e TV net, uma explicação que talvez interesse também a ex-primeira dama, Dona Marisa. Obviamente, por onde passa Lula critica e vocifera contra a imprensa, como se ela fosse culpada de sua suposta cumplicidade com os esquemas descobertos. Estranhamente, o ex-homem do povo percebe na imprensa de hoje uma maledicência que não percebia quando estava na oposição, época em que essa mesma imprensa questionava as mazelas e falcatruas de seus adversários políticos, todas bastante parecidas com essas em que Lula parece ter se envolvido.
Mas para além dessas questões com a imprensa, com a Polícia Federal e com os esquemas de corrupção, Lula terá que enfrentar também essa fase mais dura e incisiva em que vive o Supremo Tribunal Federal, que sob o comando de Joaquim Barbosa parece ter tomado de vez o caminho da democracia. Apesar de colocado no STF por Lula, Barbosa já defende que o ex-presidente deve ser investigado, o que obviamente não será fácil, mas que já aponta em alguma direção.
E para provar que as nuvens que pairam sobre Lula estão mesmo bastante carregadas, a Câmara Municipal desistiu de lhe conceder o título de cidadão francano, uma negativa nunca antes vista na história dessa cidade, já que os vereadores francanos sempre foram coração mole com esse tipo de homenagem envolvendo personalidades de prestígio no cenário nacional.
Como diria um já conhecido narrador esportivo da televisão brasileira: ‘que fase!’. Talvez seja melhor Lula ficar pela Europa, pois sua fama diante dos velhinhos da esquerda romântica europeia ainda parece intocável. Mas é só por lá.
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