Os que pintam com a boca e os pés


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Artista francana tem presença ativa na vida cultural da cidade
Artista francana tem presença ativa na vida cultural da cidade

Por diferentes razões há pessoas que nascem com deficiência nas mãos. Ou nascem com elas perfeitas mas devido a acidentes ou doenças ficam incapacitadas. Hoje vamos falar de algumas pessoas com essas deficiências que, entretanto, usam a força de vontade, a criatividade e a alegria de viver pintando lindos quadros. Com a boca, em lugar das mãos. Com os pés dando ajuda importante também. São artistas que tornam possível o talento para as artes plásticas usando os recursos de que dispõem. Eles são muitos no mundo e existe uma associação internacional que os reúne, exibe seus trabalhos e os remunera pela atividade desempenhada. A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, fundada em 1956 por Erich Stegmann, completou 50 anos. Atualmente a sede da Associação fica na Suíça.

A Associação congrega 700 artistas de todas as partes do mundo. Não faz distinção entre nacionalidade, raça e crença. A única exigência é ter talento. O Brasil tem 49 representantes nesta associação. Dois deles são de Franca. Uma é Maria Goret Chagas. O outro é José Henrique Taveira Breda. Eles são artistas membros da Associação dos Pintores com Mãos e Pés. Ambos tiveram trabalhos mostrados em exposições internacionais e ganharam medalhas por suas realizações artísticas. Goret já teve obras, tags e capas de calendários selecionados e exibidos na Suíça, Argentina, Noruega, Canadá, Finlândia. Breda também.

Os trabalhos destes pintores são enviados para a sede da Associação e avaliados para serem expostos e também reproduzidos. Todo final de ano, jurados escolhem os melhores trabalhos com tema natalino e produzem Cartões de Natal que são vendidos em todo o mundo. Se você tiver interesse em adquirir estes cartões, o telefone para contato é: 11 50 51 1008. Ao lado você pode ver um motivo natalino assinado por Goret Chagas. E aqui, mais algumas informações sobre nossos queridos artistas.

Maria Goret Chagas nasceu no dia 26 de julho de 1951 em Delfinópolis, apresentando paralisia nos braços. Tinha também um problema nas pernas e não conseguia andar. Apesar desses impedimentos teve uma infância feliz. Pertencente a uma família muito religiosa, foi levada por sua mãe a uma festa chamada “Do Divino Espírito Santo”. Tinha cinco anos. Num certo momento da Festa, dona Diva Chagas, mãe da menina, perguntou-lhe o que ela desejava pedir ao Espírito Santo. Ela respondeu: “Quero andar”. Depois de alguns dias, Goret ensaiou os primeiros passos, ainda insegura como um bebê que começa a caminhar. Mas logo ganhou desenvoltura. Foi uma grande conquista, que ela e seus familiares atribuem a um milagre. Sua força de vontade, que sempre se manifestou, foi derrubando barreiras. “Quando comecei a andar pensei que poderia fazer muitas outras coisas”, disse à reportagem do Clubinho. E, de fato, assim foi. Sua mãe a alfabetizou em casa. Depois ela foi para a escola e já entrou para a segunda série, escrevendo com o lápis que colocava na boca ou com os dedos dos pés. Sempre foi ótima aluna. Nunca perdeu uma série. Formou-se em Letras ( Português e Francês) e foi lecionar, até se aposentar. Desde muito cedo demonstrou gosto pelo desenho e pela pintura. Há muitos anos faz parte da Associação dos Pintores com a Boca e Pés. Envia mensalmente para a Suíça cinco quadros que são avaliados e mandados a vários países para serem admirados em exposições, reproduzidos em cartões de Natal e Boas Festas, de aniversário, de cumprimentos e também em calendários. Goret é bem humorada, está sempre sorrindo e brincando com quem dela se aproxima. Já viajou muito e pretende viajar mais ainda. Nesta página o leitor pode conferir a beleza do trabalho da artista. A imagem de capa do Clubinho também é dela.

Exemplo de força e superação, José Henrique Taveira Breda, 52 anos, foi vítima de problemas no parto. Dona Geraldina Taveira Breda, sua mãe, conta que ele passou da hora de nascer e adquiriu paralisia motora nos membros inferiores e superiores. Sempre muito inteligente, aos 7 anos começou a pedir para ir à escola. Mas, por mais que procurasse, ela não conseguia encontrar nenhuma que matriculasse o menino. Relata que chegava em casa e chorava tendo de contar para Breda que não seria possível estudar. Foi então que uma professora, Leila Serafim, ficou sabendo da história e resolveu intervir. Conseguiu uma vaga para ele se matricular na Escola Coronel Francisco Martins. Breda frequentou as aulas por um ano. No ano seguinte surgiu a APAE e ele foi transferido. Foi na Apae que ele começou a tentar escrever com a boca e daí em diante não parou mais. Escreveu um livro sobre sua vida– Zezé, a mensagem – que foi adquirido por um Padre de SP. O padre se encantou e levou a história de Breda para Associação dos Pintores com a Boca e Pés, na filial de SP. Logo a APAE recebeu um telefonema da Associação solicitando o contato de Breda. Alguns membros da Associação vieram à Franca e avaliaram os trabalhos do artista. No mês seguinte, ele já começou a fazer parte do grupo, recebendo seu salário. Isso foi há 16 anos. Atualmente ele envia dois quadros mensais para a Suíça. Adora paisagens e atualmente está pintando motivos de Natal. Foi ele quem sugeriu a Goret Chagas que também fizesse parte da Associação.

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