Espera ansiosa


| Tempo de leitura: 2 min

Como o dinheiro, há doenças que não levam desaforo para casa. Se o primeiro não pode ser gasto de forma descontrolada, sob a pena de se acabar, as segundas também não esperam a vontade dos exames que nunca chegam, sob a ameaça de agravarem.

Nesse sentido, é um absurdo que em Franca existam mulheres esperando cerca de dois meses por um exame que poderia comprovar-lhes a existência de um câncer de mama, uma das maiores incidências dessa doença entre as mulheres, ou devolver-lhes mais tranquilas para o sossego do lar e da família.

Porém, notícia publicada por este Comércio na terça-feira, 11/12, mostra que esse absurdo está sendo vivenciado por duas mulheres que detectaram a presença de nódulos em suas respectivas mamas e ainda não conseguiram autorização do Estado para a realização da biópsia.

Como consequência, essas mulheres estão sendo obrigadas a conviver diariamente com a angústia de não terem um diagnóstico mais preciso do que está acontecendo com elas e do que poderá acontecer caso os nódulos revelem-se como tumores malignos, já que o tratamento, que poderia salvar suas vidas, poderá também chegar tarde demais, uma vez que as doenças não dão a mínima para a ineficiência do Estado ou para o jogo de empurra-empurra que este faz com o Município.

Mesmo considerando que a morte á a única certeza que temos na vida, não é justo que o município e o Estado obriguem alguns cidadãos a conviverem com ela como se fosse um fantasma. Quando temos a certeza de alguma coisa, obviamente nos preparamos para ela, a despeito de ser algo positivo ou negativo. Porém, quando ficamos na dúvida sobre algo que nos ameaça, geralmente ficamos mais tensos e ansiosos, o que nos faz descuidar das nossas obrigações, aquelas que na normalidade do cotidiano fazemos quase que inconscientemente, porque é natural do ser humano concentrar-se e absorver-se na vida.

Nada justifica um atraso de dois meses para um exame que pode ser determinante para a vida de duas pessoas e de seus familiares. Dizer simplesmente que a autorização para o exame depende da Secretaria Estadual de Saúde não abona o município da culpa que lhe cabe nesse episódio, já que antes de ser cidadãs de um Estado, essas mulheres são pessoas residentes em Franca, portanto sob a responsabilidade do governo municipal.

E ao Estado, obviamente, cabe a maior parcela da culpa. Se ele é o responsável pela autorização do exame, se assumiu essa responsabilidade perante a população de Franca e região, então que cumpra com suas obrigações. Para um Estado historicamente acostumado a extorquir o cidadão de todas as formas, inclusive com penalidades quando por algum motivo ele deixa de cumprir com suas obrigações, nada mais justo que o Estado também seja cobrado judicialmente por mais esse descaso.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários