Mensagem de alegria


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Participando da celebração eucarística no terceiro domingo do Advento (hoje), ouviremos, nos trechos da Palavra de Deus, a mensagem da Alegria!

A alegria não se resume a uma boa gargalhada, fruto de um momento especial, mas, a alegria anunciada pela Palavra é duradoura, permanente e vamos entender que é fruto de atitudes concretas de quem conhece Deus e ama seu próximo. Meditemos sobre o que Deus quer nos falar.

Primeira Leitura: Sofonias 3
“Ai de Jerusalém, cidade rebelde! Seus chefes estão no meio dela como leões que rugem; seus juízes são como lobos da noite.” Assim começa o terceiro capítulo do livro de Sofonias, do qual é tirada a primeira leitura deste domingo. Este profeta viveu num dos períodos mais difíceis da história de Israel. Em Jerusalém todos estão imersos na corrupção: o rei, os sacerdotes, os profetas, os juízes; o povo abandonou a fé e traiu o seu Deus. Que fazer em tal situação? Sofonias não encontra alternativas: começa por ameaçar catástrofes. A seguir; prossegue: o dia do castigo está chegando. Depois, eis que surge a profecia relatada em nossa leitura. Dirigindo-se ao seu povo, proclama: “Exulta de alegria, filha de Sião; alegra-te e rejubila de todo o teu coração!” “Não temas, Sião, não se enfraqueçam os teus braços!”
A mudança de tom é tão evidente quanto inesperada e inexplicável. Por que o profeta abandona as ameaças e passa para o convite à alegria, à serenidade, à confiança? E os castigos ameaçados? Deste texto torna-se claro em que consiste o dia da “ira de Deus”. Não é o momento em que ele perde a paciência, em que se irrita motivado pela perversidade dos homens, e decide, então, puni-los; é, sim, o dia em que consegue fazer triunfar o seu amor. A “ira de Deus” não se desencadeia contra o pecador, mas contra o pecado. Deus não castiga os homens. São os próprios homens que, praticando o mal, castigam-se a si mesmos e ficam reduzidos a uma condição desastrosa, da qual não conseguem mais sair. Mas o Senhor não os abandona.
O profeta Sofonias, que viveu em uma época em que o seu povo estava à beira da ruína, anuncia a vitória do amor de Deus sobre o pecado e a transformação radical da situação social, política e religiosa. Eis o motivo pelo qual conclama todos os pobres do país a alegrarem-se.

Segunda Leitura: Filipenses 4
Quando Paulo escreve sua carta para a comunidade de Filipos, encontra-se em Éfeso, na prisão, perseguido por causa do Evangelho. Teria, pois, todos os motivos para estar abatido, mas, no entanto, na sua carta volta, como um refrão, o convite para a alegria. Aparece pela primeira vez, após uma breve consideração sobre a sua condição de prisioneiro: ainda que tivesse que dar a minha vida pela vossa fé, escreve ele aos filipenses, eu me sentiria feliz e me alegraria.
Por que insiste tanto na alegria? O motivo não é o sucesso na sua vida, a saúde em perfeito estado, a abundância de bens materiais, a falta de preocupações, mas a certeza de que “o Senhor está próximo”. Este é o pensamento que deve acompanhar permanentemente o cristão e que deve torná-lo afável, dedicado e generoso para todos. A fé comunica a certeza de que tudo o que acontece não está fora do plano de Deus e que a vida de cada homem terá um final feliz. Quando algum pensamento negativo paira sobre ele, o cristão não se desespera, não se deixa perturbar pela ansiedade e pela angústia, mas apresenta ao Senhor todas as suas necessidades na oração. Esta intimidade com Deus só pode lhe comunicar a paz.

Evangelho: Lucas 3
A primeira parte do Evangelho de hoje apresenta três grupos de pessoas que procuram o Batista para receber esclarecimentos concretos. Perguntavam-lhe: “O que devemos fazer”? O que o Batista exige das pessoas que vão pedir uma orientação não está de forma alguma nesta linha. Ele não aconselha nada de especificamente “religioso”, não sugere práticas de devoção, formalidades, procedimentos penitenciais (imposição de cinzas, jejuns, orações, retiros espirituais no deserto). Exige alguma coisa muito concreta e radical.
Ao povo diz: “Quem tem duas túnicas dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer faça o mesmo”. Enquanto existirem no mundo desigualdades e riquezas escandalosas ao lado da miséria e da fome, é inútil esperar que o Salvador possa manifestar-se. A seguir apresentam-se a João os publicanos. Quem são estes cavalheiros? São os que exercem a profissão mais odiosa do mundo: cobram os impostos. A estes o Batista pede para que não abusem do próprio cargo para explorar os mais pobres e indefesos. O publicano é o símbolo daquele que administra o dinheiro de uma forma muito “esperta”.
Os últimos que procuram o Batista para pedir sua orientação são os soldados. Os soldados, naquela época, eram mal remunerados. O que faziam, então? Estando armados, aproveitavam-se para maltratar as pessoas, abusavam das moças, extorquiam dinheiro e obrigavam os mais fracos a executar tarefas muito pesadas e humilhantes, convocavam os pobres lavradores e os obrigavam a carregar fardos muito pesados. A estes o Batista pede que não maltratarem ninguém e que se conformem com seus salários.
Na segunda parte do Evangelho de hoje o Batista retoma sua linguagem costumeira, dura, severa, quase intolerante. Fala da separação do trigo e da palha, e ameaça com a destruição no fogo inextinguível. Parece que aos pecadores ele não deixa oportunidade alguma de dançar e de alegrar-se: a ruína eterna os espera. Para Lucas, a mensagem do Batista só contém “palavras de conforto” e é uma “boa nova”. A forma de se expressar de João talvez não seja apropriada para a sensibilidade dos nossos dias, não é nem delicada nem simpática, mas o que comunica é alegria e esperança.
A alegria do cristão não deve ser confundida com a gargalhada tola e insulsa do beberrão, nem com a satisfação desabrida de quem se impõe pela violência, nem com o prazer de quem explora o mais fraco e indefeso. Há muitas alegrias que não são cristãs! O Batista nos indica o caminho que permite que o nosso coração seja inundado pela verdadeira alegria: basta que preparemos a vinda do Senhor na nossa própria vida, mediante a partilha dos nossos bens com os pobres e mediante a recusa a qualquer forma de violência e de opressão.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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