Operário e atendente se casam em enfermaria da Santa Casa


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Sob o olhar atento do pastor Otávio, Juliano Gonçalves coloca a aliança no dedo da noiva, Elinéia Souza
Sob o olhar atento do pastor Otávio, Juliano Gonçalves coloca a aliança no dedo da noiva, Elinéia Souza

Imaginem um casamento onde há, no lugar de flores, gazes e ataduras. Ao invés de convidados, enfermeiras e médicos. O espumante sendo substituído por antibióticos.

Todas estas inusitadas trocas se fizeram necessárias na cerimônia entre o operário Juliano Salvino Gonçalves, 22, e a atendente Elineia Atila de Souza, 21.

O casamento estava marcado para sábado, no salão do centro comunitário do Jardim Aeroporto II, mas, na quinta-feira, o rapaz sofreu um acidente de moto, após deixar a noiva em um salão de beleza do Jardim Noêmia.

Internado na Santa Casa, tinha tudo para adiar o casamento. Mas, em comum acordo, decidiram não mais esperar e a união teve a data mantida, em um lugar incomum: num quarto de hospital.

Desde quinta-feira, Juliano ocupa um leito no quarto 417 da Santa Casa. Ele sofreu uma fratura na perna e uma luxação no braço esquerdo, tendo de passar por uma cirurgia. Ficará, ainda, alguns dias internados.

Com a decisão de manter o casamento, coube ao pastor Otávio Pinheiro, da Assembleia de Deus, intermediar o pedido junto ao presidente do hospital, Luís Aurélio Prior. “Fizemos essa solicitação diretamente para a direção do hospital que soube entender as circunstâncias especiais do rapaz e liberou a nossa entrada”, explicou o vereador, que foi acompanhado pelos pais dos noivos, quatro testemunhas e outros cinco convidados.

Logo no começo da celebração, ele comentou com os noivos que este era o 233´ casamento que ele celebrava, mas o primeiro dentro de um hospital. Do lado de fora, um segurança, várias enfermeiras, além de outros curiosos, espiavam pela porta do quarto. “Nem trabalho neste setor, mas vim conferir esse casamento”, comentou, envergonhada, uma enfermeira que trabalha há 18 anos na Santa Casa e que não quis se identificar.

Perguntado sobre como ficaria a rotina do hospital se a moda pegasse, um segurança que também acompanhava o casamento disse que seria um grande problema. “Para a segurança do hospital é péssimo. Quando entra muita gente, temos que acompanhar e isso deixa a portaria desguarnecida”.

Mas um dos obstáculos mais complicados ocorreu no momento de abençoar as alianças. Como está com o braço esquerdo imoblizado até a ponta dos dedos, não foi possível Elineia colocar o anel no marido. “Ele está com os dedos muito inchados, por isso eu nem trouxe a aliança”, comentou a noiva, conformada. Feito o juramento, ambos juraram fidelidade e a cerimônia foi encerrada.

A mãe da noiva, Eva Aparecida da Silva, 53, lamentou o fato do casamento acontecer nessas circunstâncias, mas reiterou que o mais importante é a felicidade da filha e o restabelecimento da saúde do genro.

O noivo também se disse feliz. “Foi tudo muito rápido, o acidente, a cirurgia, agora o casamento. Tudo de uma vez só e em tão pouco tempo. Espero receber alta (médica) o mais rápido possível para comemorar esta alegria com minha mulher”. Sobre a lua de mel, o noivo foi ousado e afirmou que fará outro pedido para a direção do hospital. “Já que eles deixaram eu casar aqui dentro e tem uma cama livre mesmo, vou pedir para deixarem ela passar a noite comigo também”, brincou o rapaz.

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