Conforme matéria publicada no caderno “Saúde+ciência”, da Folha de S. Paulo, edição de 11/09/12, a OMS (Organização Mundial da Saúde), órgão da ONU, apresentou ao público relatório um tanto alarmante.
O médico Shekhar Saxena leu o relatório, revelando que ocorrem, no mundo, um milhão de suicídios por ano. Asseverando tratar-se de um problema de saúde para a ONU, o documento diz que uma pessoa se suicida a cada 20 segundos no planeta, e que o problema está se agravando, superando o número de vítimas de guerras e homicídios. Ainda segundo o relatório, a maior incidência de suicídio se verifica no leste europeu, onde o nível de vida material é considerado alto. Ora, se o individuo tem suas necessidades materiais satisfeitas, por que procurar o suicídio? O gesto suicida contraria um princípio fundamental, qual o de ser a vida o nosso bem mais importante a assistir-nos os interesses evolutivos do espírito.
A partir da sua criação é a alma a causa, ao mesmo tempo que a finalidade de tudo. Preexiste e sucede à vida material. Assim, já que ela é imortal, matar o corpo que lhe é indispensável instrumento evolutivo, só lhe causa prejuízos morais.
Diz Helena Carvalho, escritora espírita, no título de um dos seus livros: “Não se mate, você não morre”. O Espiritismo é definitivamente contrário ao suicídio. Desaconselha-o, porque ele não resolve, acrescenta novos problemas.
Fugir do problema pela porta do suicídio é reencontrar-se vivo, mais adiante, em situação mais complicada. Empenhemo-nos no enfrentamento e na solução de quaisquer que sejam os nossos problemas, porque, depois, na condição de desertores da vida, defrontaremos situação muito mais grave, segundo o grau do nosso comprometimento com as leis da vida.
Segundo o que nos revela o livro O Céu e o Inferno, o 4º da Codificação Kardequiana, a situação do suicida no mundo espiritual é muito penosa, posto que se trata de grave infração às Leis de Deus, constituindo-se em rebeldia e inaceitação das circunstâncias da vida que ele próprio projetara quando na preparação reencarnatória, e segundo as necessidades de redimir-se de débitos anteriores.
O gesto extremo do suicídio é sempre caso em que o indivíduo simplesmente ignora a misericordiosa dádiva da existência como oportunidade de resgatar as pesadas dívidas que já lhe incomodam a consciência.
A Misericórdia de Deus está sempre ao nosso lado, nos socorrendo, mas, dela nos distanciamos e não procuramos nos educar convenientemente para entender a magnanimidade das Leis Supremas.
Vale a pena examinar os nove casos de suicídio apresentados por Allan Kardec, na obra supra citada, tanto quanto nos convém analisar com atenção a clássica obra Memórias de Um Suicida, um “best-seller”, pela psicografia da respeita médium Yvonne do Amaral Pereira, no qual são relatadas as agruras enfrentadas por irmãos nossos, surpreendidos pela própria vida no mundo espiritual.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (Idefran)
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