Os tempos vividos hoje em dia estão realmente difíceis e aquele devir de um mundo mais perfeito, justo e igualitário ainda não se concretizou plenamente. Prometido tanto pela ciência como pela fé cristã ao longo dos últimos séculos, ele parece seguir o caminho contrário, afastando-se cada vez mais dessa sociedade que ainda não conseguiu vencer algumas de suas travas comportamentais, sociais e econômicas.
Por um lado, a idéia de racionalidade como a capacidade humana de discernir entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, ainda não conseguiu se impor completamente. Surgida com as ciências durante o renascimento, ela se viu negada por inúmeras tragédias que se abateram sobre a humanidade no decorrer dos séculos, deixando sérias dúvidas sobre a própria racionalidade da razão.
Por outro, porém, as promessas colocadas pelo teocentrismo da fé cristã, de um mundo mais misericordioso, guiado por um Deus de infinita bondade, também parecem não ter se confirmado em sua plenitude. No caso da cristandade brasileira, pelo menos, a conjugação do quinto mandamento parece seguir um caminho totalmente às avessas.
Em Franca, mais especificamente, essa situação indefinida parece se impor com total desenvoltura. Notícia publicada por este Comércio no domingo, 09/12, mostra que a cada seis dias uma pessoa tenta tirar a vida de outra. E os motivos, segundo apuração policial, são os mais fúteis possíveis. Brigas entre familiares, brigas de casal, problemas insignificantes em bar e brigas bobas envolvendo jovens nas madrugadas e nas baladas da cidade. Ainda segundo apuração da polícia francana, poucos são os casos em que há envolvimento com atividades criminosas, como o tráfico de drogas, por exemplo.
Como se pode notar, nesses casos nem a fé nem a razão parecem fazer muita diferença. Pessoas casadas, pela Igreja ou pelo Estado, jovens com alguma escolarização racional e científica e com talvez um pouco de formação religiosa, não importa, todos parecem se esquecer de todo o sofrimento experimentado pela evolução humana e de todos os atributos de civilidade consequentemente conquistados, deixando extravasar uma irracionalidade estúpida e impulsiva, que já deveria estar extinta ou no mínimo mais controlada, e não recrudescendo, como parece mais indicado pelas recentes estatísticas.
Dentro desse contexto, é imprescindível que as autoridades, em todas as esferas governamentais, comecem a rever a racionalidade das leis vigentes, que diante da violência crescente que acomete toda a sociedade brasileira parecem ficar cada dia mais ingênuas ou coniventes, como se ainda acreditassem nas promessas desse mundo racional ‘inventado’ pelo renascimento.
A despeito da racionalidade ou da fé, o que resta é endurecer um pouco mais a legislação e punir severamente quem tenta tirar (ou tira) a vida de seu semelhante, independentemente dos motivos serem torpes, fúteis ou até mesmo defensáveis.
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