Estado de SP ignora Santa Casa e cortes no atendimento continuam


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Populares em frente a uma das entradas da Santa Casa de Franca, que já está há dois dias sem atender pacientes de Franca e região
Populares em frente a uma das entradas da Santa Casa de Franca, que já está há dois dias sem atender pacientes de Franca e região

Há pelo menos dez dias a Santa Casa de Franca aguarda uma resposta da Secretaria Estadual de Saúde sobre novos repasses para custear o déficit nas contas do complexo hospitalar que ultrapassa os R$ 2,5 milhões mensais. Sem sucesso. Mesmo com a paralisação de diversos serviços, a instituição ainda não sabe se vai ou não ter ajuda do governo do Estado. A informação é do presidente da Santa Casa, Luís Aurélio Prior. Ontem, novamente cerca de mil pacientes deixaram de ser atendidos, como aconteceu na quarta-feira.

Segundo Prior, desde o envio da notificação sobre a suspensão de alguns serviços prestados pelo hospital, nenhuma comunicação foi feita pela Secretaria. “Até estranhamos. Normalmente, eles nos chamam para conversar. Mas desta vez não ligaram nem falaram nada. Estamos sem saber o que deve acontecer.”

Prior disse que a única resposta que recebeu foi através da imprensa. “Só vi a nota oficial que eles mandaram para o jornal. Para nós, os maiores interessados, não veio nada.”

Sem a ajuda do Estado, a situação do hospital que já é caótica deve piorar. “Os cortes estão mantidos. Não temos condição de atender, porque estamos com o estoque baixíssimo de diversos materiais.”

Prior contestou a afirmação da secretaria de que o hospital deveria rever a suspensão dos atendimentos. “Como eles escrevem, parece que é uma questão de vontade nossa. Não é. Não estamos atendendo por absoluta falta de condições financeiras. Não temos como arriscar vidas.” Ele também rebateu a afirmação da secretaria de que houve o repasse de R$ 25 milhões extras para a Santa Casa desde 2011. “Isso não é verdade. Dentre desses valores, estão verbas carimbadas e com destino certo, como o dinheiro para a compra de equipamentos específicos ou a construção de novas alas.”

Procurada ontem para comentar o caso, a Secretaria Estadual de Saúde não respondeu se houve ou não contato com a direção do hospital. Em uma nova nota enviada ao jornal no final da tarde, voltou atrás e disse que está analisando a possibilidade de conceder novos aportes financeiros ao hospital. “A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que está, neste momento, analisando a viabilidade de novos aportes extras para a Santa Casa de Franca. Reiteramos que a Secretaria espera que a Santa Casa de Franca reveja sua decisão de suspender atendimentos eletivos para não prejudicar os pacientes do SUS”, diz em nota.

Enquanto Estado e hospital não entram em acordo, portadores de câncer não fazem sessões de quimio e radioterapia. Cirurgias, exames e fisioterapia também estão suspensos. O atendimento continua apenas para casos de urgência, emergência e hemodiálise.

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