A construção da Praça da Juventude, realizada pela Prefeitura em parceria com o Ministério do Esporte, foi finalmente retomada nesta semana. Segundo os moradores, as obras estavam interrompidas há três meses, o que facilitava a invasão por moradores de rua. No início da semana, os dois portões de acesso à área estavam abertos. Um dos cômodos do local continha colchões, lençóis e um tapete. De acordo com vizinhos, eles foram levados por mendigos.
“À noite eles vão todos morar ali, virou bagunça. Precisamos de um vigia para olhar a obra”, disse Joaquim Alves, que tem uma oficina de motos próxima à praça. Um morador do Redentor, que se identificou apenas como José, era um dos mais revoltados com a situação. “Há mais de cinco anos peço para a Prefeitura fazer uma praça aqui, porque o bairro merece e as crianças teriam uma área boa para brincar. As obras começaram em setembro do ano passado e, há três meses, pararam. Agora, aqui virou cracolândia e motel de moradores de rua. É triste, para quem lutou tanto, ver a praça nessa situação.”
O engenheiro responsável pela construção, Domingos Alexandre Meneghetti, contesta a informação dos vizinhos. Segundo ele, as obras nunca foram interrompidas, mas, sim, tiveram o ritmo diminuído há cerca de um mês, quando a verba do governo federal não teria sido enviada. Meneghetti disse que os serviços foram normalizados nesta semana, já que o convênio foi restabelecido. “Sem a verba, comecei a fazer serviços extras, que não precisam ser feitos na obra, como as tabelas de basquete, vidros, mármores, granitos, corrimões e as traves de futebol. Se eu colocasse essas estruturas na praça, elas poderiam ser danificadas”, detalhou, acrescentando que, ontem, de seis a sete pessoas passariam a trabalhar na construção.
Meneghetti estima que os trabalhos da Praça da Juventude sejam concluídos em fevereiro do ano que vem. O engenheiro explicou ainda que deixa os portões da praça abertos para que as crianças possam brincar no interior do local, e também porque os moradores de rua “nunca atrapalharam nada das obras”.
O arquiteto da Secretaria de Urbanismo e Habitação, Eduardo Junqueira, confirmou o atraso do envio da verba federal e a normalização do serviço, mas não soube explicar o motivo da demora.
O economista do Ministério do Esporte, Mário Soares, rebate a acusação, afirmando que do orçamento federal - R$ 1,17 milhão - metade já foi enviada, com dois pagamentos realizados em dezembro de 2011 e um terceiro em outubro deste ano. A obra está orçada em R$ 1,3 milhão.
Ele acrescentou que o terreno, de 12.940 m², terá 1.484 m² de área construída e contará com quadra de esportes coberta, quadra de vôlei de praia descoberta, pista de skate e de caminhada, além de um teatro.
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