A inteligência competitiva já é uma realidade em muitas organizações. Para vencer nesse mundo extremamente competitivo, no qual os produtos e serviços se assemelham cada vez mais, é bastante natural que as empresas comecem a dar mais importância para o conhecimento e para a inteligência individual e coletiva que o constroem.
Para essas empresas, torna-se fundamental aproximar pessoas, setores ou departamentos. Cientes de que a inteligência competitiva é o resultado dos atritos e interações que formam a cultura organizacional e certos de que o entrechoque consciente das diferenças e oposições individuais é que cria a unidade dinâmica, muitas organizações estão percebendo que os conhecimentos individuais, quando somados aos já sedimentados pela empresa, são imprescindíveis para fortalecer sua competitividade. Nesse ambiente, a criatividade e a percepção crítica da realidade vão aos poucos se tornando muito mais importantes do que as máquinas ou a tecnologia que as movimenta.
Na esfera pública, entretanto, essa realidade ainda está muito distante. Geralmente, os órgãos, setores ou funcionários pouco conversam entre si. Consequentemente, não conseguem unir nem o saber individual que viceja nesses setores nem aquele que foi acumulado pela experiência da empresa. A falta de sintonia entre as nossas polícias, assim com a distância entre os órgãos dos três poderes que conformam a União, são bons exemplos desse processo extemporâneo da administração pública brasileira.
Dentro desse contexto, foi bastante relevante a proposição de ajuda ao governo feita pela procuradora da República em Franca, Daniela Poppi. Conhecida pelas ações que impetrou contra as fraudes ocorridas no Programa Farmácia Popular, que só em Franca já condenou nove empresas, ela agora resolveu propor ações concretas para ajudar a identificar e prevenir esses golpes, impedindo-os de chegarem até onde chegaram anteriormente.
A despeito da eficiência ou da eficácia da ajuda proposta, o mais importante para a cidade foi a disposição de ajudar, a aproximação entre setores diferentes da administração pública e a consequente abertura para o diálogo, já que para se tomar decisões em conjunto sob um determinado problema é imprescindível que todos os responsáveis se reúnam para pensar e discutir as possíveis soluções.
Se essa atitude se espalhar para outras esferas da administração governamental, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, com certeza experimentaremos uma melhoria na gestão pública de forma geral, pois haverá mais cabeças especializadas pensando e raciocinando sobre as mais complexas questões, desde como melhorar o atendimento à população até como evitar ou precaver-se de fraudes e outros desvios que insistem em acontecer no serviço público.
Nessa sociedade do conhecimento que estamos construindo, não bastam as informações segmentadas que colhemos nas mais diversas fontes. Para se obter a verdadeira inteligência, aquela que permite às organizações alcançarem melhores resultados, é preciso transformá-las em saber, o que só é possível por meio das pessoas e dos setores que as interpretam.
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