O Ipra (Instituto Práxis de Educação e Cultura) de Franca lançou na noite de sábado, 8, no Teatro de Bolso, o livro Memórias da Resistência. A obra faz parte do projeto de mesmo nome sobre documentos inéditos relacionados à Ditadura Militar do Brasil.
Em 2007, Cleiton Oliveira e outros jovens que trabalhavam no corte de cana-de-açúcar numa fazenda de Jaborandi (SP) encontraram documentos desse período numa casa abandonada na propriedade que era de Tácito Pinheiro, antigo delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Cleiton estudava história em Bebedouro e, ao apresentar parte dos documentos ao professor Tito Flávio, que é historiador, percebeu a importância do material.
O acervo encontrado na fazenda inclui 110 fichas de perseguidos políticos, processos da Corregedoria da Política Civil e Manual de Subversão e Contra-Subversão do Exército Brasileiro.
Cleiton esteve em Franca no dia 8 para o lançamento do livro e se emocionou ao comentar a descoberta que fez. “Foi muita sorte achar esses documentos. Só tenho a agradecer a equipe porque é uma emoção muito grande ver esse livro, esse projeto... Eu era um estudante de história, estava trabalhando no corte da cana para pagar a faculdade e achei os documentos da Ditadura Militar.”
Parte dos documentos encontrados na casa abandonada em Jaborandi está publicada na obra, organizada por Marco Antônio Escrivão, Pedro Russo e Tito Flávio Bellini. A equipe do projeto Memórias da Resistência encontrou algumas das pessoas fichadas e as entrevistou para a produção do livro e de um documentário. Uma delas é Áurea Moretti, que foi uma das líderes da Faln (Forças Armadas de Libertação Nacional), e no fim da década de 1960 foi presa e torturada. Ela prestigiou o lançamento da obra.
Além do livro, o projeto do Ipra inclui a produção de um vídeo-documentário que deverá ser lançado em março de 2013, um portal na internet e publicação de boletins bimestrais sobre o andamento dos trabalhos e textos sobre o Regime Militar no País.
O Memórias da Resistência é financiado pelo Ministério da Cultura - via Edital de Pontos de Mídias Livres. O valor repassado é R$ 100 mil. A Feac (Fundação para Esporte, Arte e Cultura) é uma das parceiras na produção do livro. Os exemplares são vendidos por R$ 15 cada. Lançamentos acontecerão em outras cidades.
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