A época de Natal é sempre um momento de mais movimento nas ruas. É época de festa, alegria e mais fraternidade. É quando as pessoas saem para passear em família, imbuídas de um espírito de paz e fraternidade que só se apresenta nessa época do ano.
Mas, concomitantemente a esse momento mais espiritual, as pessoas também se dispõem às compras, já que o Natal, pelo menos nesse mundo mais contemporâneo, é também tempo de fortalecer os laços familiares e de amizade, o que é simbolizado pelos presentes ou pelas lembranças que são intensamente procuradas por todos.
Consequentemente, o comércio comemora. Para os empresários que se dedicam a esse setor da economia, esse é o momento de faturar o mais intensamente possível, para poder suportar tranquilamente os tempos de ‘vacas mais magras’ que obviamente advirão mais para frente.
Nesse sentido, foi incompreensível a atitude tomada pela Prefeitura de Franca no que diz respeito à ampliação da faixa que divide as pistas da avenida Brasil. A despeito de se concordar ou não com essa obra, uma vez que ela impediria o tráfego de veículos em fila dupla e deixaria o trânsito mais lento, a questão que mais incomodou a população foi o momento em que ela foi iniciada, justamente em uma época em que o movimento naturalmente aumenta e as pessoas, os veículos e o próprio comércio precisariam do máximo possível de espaço nas ruas.
Dentro desse contexto, a gritaria foi geral. Incomodados, cidadãos e comerciantes puseram-se a reclamar. E a ‘gritaria’ foi tão intensa que a Prefeitura resolveu recuar. Percebendo o erro, talvez não estratégico, mas tático, a Prefeitura prometeu refazer as faixas e deixar tudo como era antes, pelo menos até o final das festas de fim de ano.
Em todo esse rápido imbróglio, no entanto, é possível perceber um jogo de soma positiva para a sociedade. Ganha a população que soube reivindicar um direito simples, o de ter mais acesso e tranquilidade em suas compras natalinas. Ganha a imprensa que soube perceber o clamor popular e rapidamente repercuti-lo em toda a sociedade. Mas ganha também a Prefeitura, que soube reconhecer o erro, assimilá-lo e imediatamente corrigi-lo.
Para os cidadãos, na maioria das vezes, o problema não é o erro. Todos sabem que as organizações são sempre permeadas por homens e mulheres falíveis. A questão está em que, na maioria das vezes, as autoridades tentam encobrir o erro para não parecerem ineficientes junto à população.
Mas isso é um ledo engano. Saber reconhecer os erros é sinal de sabedoria, pois se errar é humano, o erro está presente em todos os seres, sem grandes traumas ou surpresas. O problema maior é quando se tenta varrer o erro para debaixo do tapete. Aí todos percebem, pois eles não foram resolvidos, apenas escondidos.
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