Noticiário político


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Se no passado o Brasil tivesse uma imprensa livre e atuante como a que tem hoje em dia, com certeza nós teríamos assistido a muitos escândalos ao longo de nossa história. Mas certamente seria bem pouco se comparado aos noticiários de hoje. Quase sem nenhum pudor, muitos políticos e funcionários públicos, de todos os tipos e matizes, parecem cada vez mais famintos pelo poder e pelos recursos públicos que ele possibilita, independentemente de princípios, valores, ideologia ou partidos.

Durante o mensalão, por um breve momento tivemos a impressão de que as coisas poderiam mudar e que o país começaria a trilhar um caminho mais equilibrado e idôneo, com um pouco mais de respeito pelas coisas públicas. Mas a esperança acabou logo e o futuro mais transparente acenado pelo Supremo parece que sucumbiu com a realidade nua e crua de nosso cotidiano, mostrando que os abusos e as falcatruas com o dinheiro público ainda perseveram com a mesma força e resistência de sempre.

No nível mais alto, nem bem saiu Cachoeira, que já deve estar com saudades dos holofotes, entrou a Operação Porto Seguro, um esquema ainda mais escandaloso do que seus antecessores, envolvendo assessores diretos da presidência da República em um esquema de venda de pareceres técnicos em órgãos federais, uma articulação que supostamente teria o aval do ex-presidente Lula.

Mas a questão não fica apenas no topo da hierarquia política. Na realidade, ela perpassa o todo social, corrompendo poderosos e subalternos, uma espécie de consolidação da famosa ‘lei de Gerson’. E essa situação está chegando a tal ponto que o noticiário político já começa a desafiar os jornalistas e a confundir a opinião pública, porque ninguém está conseguindo mais discernir o que é política e o que é polícia. No Comércio da Franca, por exemplo, o Caderno Brasil de quarta-feira, 05/12, repercutia em sua matéria de capa a frase ‘quadrilha na presidência’, mostrando a tentativa do ministro José Eduardo Cardozo, que mesmo um pouco sem jeito, tentava limpar as nuvens negras que ameaçam cair em forma de tempestade sobre o Lula e o PT.

Na segunda página, outra matéria informava que a PF (Polícia Federal) havia prendido 61 policiais acusados de receberem do tráfico de drogas. Depois de ocuparem as páginas dos jornais como vítimas durante várias semanas, por conta da guerra com o PCC (Primeiro Comando da Capital), lá estavam os policiais novamente como bandidos, acompanhados de muitos civis e, inclusive, de um juiz aposentando.

E assim vai caminhando o país, já não sabendo mais exatamente como distinguir entre o que é caso de política e o que é caso de polícia. Nessa mesma linha seguem a sociedade, ao mesmo tempo vítima e sujeito de todo esse imbróglio, e os jornalistas, que já não sabem mais como deveriam paginar suas pautas.

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