Um dos principais gargalos do setor de saúde pública em Franca pode estar com os dias contados. A Prefeitura anunciou ontem que vai reassumir a decisão de autorizar internações na Santa Casa. Desde 2007, o controle das vagas é feito a distância por uma central do governo do Estado. Pacientes dependem de uma autorização para serem atendidos. A demora na resposta provoca indignação de usuários e médicos. Houve casos em que pacientes morreram esperando a ordem ser enviada. Não à toa, o documento passou a ser chamado de “fax da morte”. O novo sistema, que será gerenciado pelos médicos do Samu, deve entrar em vigor em meados de janeiro. Por um lado, vai permitir maior agilidade. Mas o atendimento dependerá da disponibilidade de leitos.
A dependência do Estado para liberar uma internação na Santa Casa foi um dos temas mais explorados pela oposição durante a campanha eleitoral das eleições para prefeito. Enquanto Alexandre evitava tocar no tema, a administração trabalhava em silêncio e negociações para retomar o controle eram feitas com o governo e o hospital. A ideia de trazer a regulação para o município surgiu com a instalação do Samu em Franca no começo do ano.
O anúncio de que as partes chegaram a um acordo foi feito à rádio Difusora AM, ontem, pela secretária de Saúde, Rosane Moscardine. “A partir de janeiro, a regulação de vagas será feita pela nossa central. Com isto, vamos eliminar obstáculos e ganhar tempo. Teremos uma otimização de recursos. A intenção é melhorar o atendimento prestado à população”.
Hoje, quando um paciente está no PS e precisa ser internado, o médico entra em contato com a Cros (Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde), em São Paulo, e faz o pedido. Cabe ao médico de lá, que não conhece a realidade do município, avaliar. Em seguida, ele entra em contato com a Santa Casa para autorizar ou não a transferência. Agora, o contato será feito diretamente com o Samu.
Com a eliminação do intermediário, a resposta será dada em menor tempo. Como a Santa Casa tem apenas 270 leitos para atendimento pelo SUS, a transferência para a internação do paciente ficará condicionada à existência de vaga. “Não acredito que teremos problemas. Estamos dando conta da demanda e não temos mais reclamações. O controle por parte do município era uma reivindicação e vai agilizar o atendimento”, disse Luiz Aurélio Prior, presidente da Santa Casa.
Segundo o dirigente, Franca é a segunda cidade do interior, depois de Araçatuba, a assumir a regulação de vagas.
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