Ambulantes driblam fiscalização e pipocam pelas ruas de Franca


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Pessoas são vistas comprando laranjas na rodovia João Traficante; comércio fora de estabelecimentos é irregular
Pessoas são vistas comprando laranjas na rodovia João Traficante; comércio fora de estabelecimentos é irregular

Passear pelas ruas de Franca e encontrar caminhões, caminhonetes e outros veículos vendendo produtos diversos - frutas, garapa de cana e até mesmo móveis - se tornou uma situação comum. O que a população talvez não saiba é que esse tipo de comércio não é permitido pela Prefeitura, que apreende as mercadorias com frequência.

O Comércio foi às ruas ontem e encontrou diversos vendedores em situação irregular. Um deles é Valdemir Charles, 32. Pela manhã, ele estava vendendo laranjas, melancias e abacaxis na avenida Emílio Paludetto, na Vila Hípica. Ele lida com a venda de frutas há 15 anos, mas só teve 20 sacas de laranja apreendidas uma vez, há dois meses. Para evitar novos problemas, ele muda constantemente de ponto.

Outros vendedores já tentaram se legalizar, mas não obtiveram sucesso, como os vendedores Domingos Pereira, 68, e Gilberto da Silva, 49. “A Prefeitura não dá licença, eles nos mandam comprar e trabalhar em um terreno. Fico aqui, de repente aparecem fiscais falando para sair, mas eu saio e volto”, revelou Domingos, que trabalha na rodovia João Traficante vendendo laranjas. Gilberto, que também comercializa o mesmo produto em avenidas da cidade, reclama da postura da Prefeitura. “Eles dizem que precisamos abrir firma, o que custa R$ 5 mil. Como fazer isso? Já apreenderam as laranjas há duas semanas, e recebemos uma multa há um mês. Não compensa trabalhar, mas vou fazer o quê, roubar?”, revolta-se.

Ficar quite com a Prefeitura também está nos planos de Luís Carlos Matias, 57. Um dos seus pontos de vendas é na saída da avenida Doutor Abrahão Brickmann, no Leporace, na alça de acesso da rodovia Cândido Portinari. Entre seus produtos, estão cadeiras, churrasqueiras, fruteiras e cabides reciclados, feitos pelo próprio Luís. “Eu pego o material em um ferro-velho do Jardim Aeroporto, limpo, lixo e pinto.”

Matias diz que, como começou a criar as peças há “apenas” seis meses, ainda não procurou a Prefeitura para ver como pode normalizar a sua situação. “Se o negócio der certo, aí pretendo abrir um ponto comercial.” Segundo a Prefeitura, esta é a única alternativa para os ambulantes regularizarem sua situação. 

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