A Revista Veja, edição de 5 de dezembro, estampa em sua capa fotos do ex-presidente Lula e da ex-secretária da Presidência da República, Rosemary Noronha, acompanhadas da seguinte manchete: “A mulher que sabe demais... e o homem que nunca sabe nada”.
Trata-se, infelizmente, de novo escândalo republicano, elucidado na operação Porto Seguro da Polícia Federal e que envolve corrupção, abuso do poder político e econômico.
Rosemary Noronha, segundo a polícia e a própria revista: “agia como uma facilitadora geral da República, valendo-se de sua intimidade com o ex-presidente”. Consta que ela tinha várias regalias, inclusive passaporte diplomático e que teria feito dezenas de viagens acompanhando a comitiva presidencial dentro e fora do País.
Lula, indagado sobre os recentes fatos, novamente se valeu do argumento que utilizou quando eclodiu o escândalo do mensalão: “abusaram da minha confiança. Fui apunhalado pelas costas”.
No caso do mensalão Lula teria dito: “Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento.”
Tenho o maior apreço pela biografia política de Lula. Reconheço a sua importância para o restabelecimento da democracia brasileira.
Também vislumbro avanços econômicos para o País nos seus dois mandatos presidenciais, embora não aprove algumas políticas assistencialistas e populistas que, sem dúvida, mais se preocuparam em “dar o peixe do que ensinar a pescar”.
Mas, com todo respeito, é inconcebível e inaceitável que um político tão hábil, com biografia tão rica, não tenha percebido que pessoas da sua confiança, que privavam da sua intimidade e que ocupavam salas anexas à sua, estavam praticando, segundo as acusações, atos de improbidade no âmago do poder, valendo-se, exatamente, da proximidade e do prestígio com o ex-presidente.
No caso do mensalão, Lula conseguiu evitar o seu envolvimento e o seu indiciamento no processo.
Evidente que o cargo de Presidente que ainda ocupava, a sua história de vida e principalmente a sua credibilidade e popularidade contribuíram, decisivamente, para que ele saísse ileso das acusações da prática de atos que, certamente, levarão muitos à cadeia.
No recente episódio elucidado pela operação Porto Seguro, fora do poder e com a popularidade em baixa, a pergunta que não quer calar é a seguinte: será que Lula conseguirá passar novamente impune?
Penso que não obstante a astúcia política do ex-presidente, talvez ele não tenha aprendido uma lição simples: “Diga com quem tu andas e eu direi quem tu és”. Aliás, o Livro da Lei, a Bíblia Sagrada, também recomenda enfaticamente: “não se associe aos ímpios”.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.