Viaduto “doente”


| Tempo de leitura: 2 min

Dizem que a frase ‘o Brasil não é um país sério’ foi proferida pelo ex-presidente francês, o general Charles de Gaulle, em função de uma contenda pouco significativa que ocorreu entre os dois países no início dos anos 60. De Gaulle negou até morrer que tenha dito tal frase, mas o mais curioso e surpreendente é que a frase caiu no gosto popular dos brasileiros, que a adotaram sem a menor cerimônia, utilizando-a como uma crítica a qualquer deslize que acontecesse na política nacional.

O problema é que de tanto repetir a frase, talvez tenhamos acreditado demasiadamente em seu significado, transformando-a em uma espécie de confirmação irônica e profética de nosso destino, algo que de certa forma ainda nos acompanha nos dias de hoje.

No caso específico de Franca, as obras do viaduto talvez sejam um claro exemplo dessa triste constatação. Como todos têm acompanhado, há poucas semanas descobriu-se que a ampliação do leito do Córrego Cubatão, que seria feita apenas no trecho sob a nova ponte que será construída debaixo do viaduto, não será suficiente para conter as chuvas que por ali escorrem nos dias mais chuvosos de verão. Para resolver de vez o problema, seria necessário ampliar o leito por cerca de 140 metros, entre o Fórum e o cruzamento da Avenida Sete de Setembro.

Até aí, como já dissemos nesse mesmo espaço, não seria algo assim tão significativo para se crucificar a cidade ou o país. Se o que realmente existiu foi, de fato, um erro, não há nada a temer, pois errar é inerente à condição humana. No entanto, como se trata de Brasil, com um vasto histórico de apropriação de dinheiro público, nada mais natural do que esperar por uma investigação do MP (Ministério Público) para apurar as responsabilidades, independentemente de qualquer desdobramento que venha a ser dado para o caso.

Mas eis que, coincidentemente, após a abertura de inquérito por parte do MP, a Prefeitura recuou e informou ao mesmo que não mais haveria aditamento no contrato ou nova licitação para se corrigir a obra, o que permite leituras preocupantes: seria irreal o erro apontado e, por essa razão, não justificaria o gasto adicional de R$ 2,3 milhões? seria o erro real e, diante de cobranças naturais, se desiste de sua correção numa obra importante que continuará assim mesmo, doente, e nascerá com a indelével marca de nossa falta de seriedade? Seria tudo uma grande confusão mal explicada para os donos do dinheiro, os cidadãos francanos? Qualquer opção está longe de ser satisfatória se não vier acompanhada de detalhada explicação. Com a palavra, os responsáveis.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários