Mais de 50 funcionários do Pátio Municipal da Prefeitura de Restinga paralisaram ontem suas atividades em protesto contra a não votação de um projeto para liberação de R$ 600 mil destinados ao pagamento do salário de novembro e da segunda parcela do décimo terceiro. A promessa dos servidores é que enquanto a verba não for aprovada pela Câmara Municipal, eles continuarão parados. A Prefeitura de Restinga tem 301 funcionários e uma folha mensal de R$ 620 mil.
No local trabalham pedreiros, serviços gerais, motoristas e vigias que são responsáveis pelos serviços de limpeza, coleta, transporte e obras, além do funcionamento da guarita do pátio. “Só vamos atender emergências, o restante vai continuar parado se não tivermos uma posição de pagamento”, disse o vigia Jair Aparecido Avelar. A média de salário no setor é R$ 1,2 mil.
Segundo o pedreiro Nilton Valério Rosa, a ideia é também levar a paralisação para outros setores da Prefeitura e fortalecer ainda mais o movimento. “Não podemos ficar sem o salário, pois temos compromissos com esse dinheiro e isso é um problema que atinge a todos.”
De acordo com funcionários, a Prefeitura tem o dinheiro em caixa, porém precisa da aprovação da Câmara para fazer o pagamento e os vereadores “não estão interessados” em votar a verba. “O prefeito diz que sem a verba não consegue pagar e os vereadores dizem que já aprovaram um repasse. Fica um jogo”, disse o também pedreiro Florisvaldo Clemente, que acompanhou a sessão da Câmara da última terça-feira, na qual o projeto de verba suplementar deveria entrar em votação.
O presidente da Câmara Municipal de Restinga, Isaias Justino, disse que o problema acontece por falta de informação do Executivo. Ele afirmou que, em outubro último, o Legislativo aprovou cerca de R$ 1,6 milhão já contemplando os três meses de salário e, por isso, os vereadores não entendem o porquê de mais uma verba suplementar com a mesma finalidade. “Queremos entender o que está acontecendo e onde o prefeito usou o dinheiro. Porém, não conseguimos falar com ele. Antes de aprovar, precisamos sentar para conversar.” Segundo Justino, a verba apresentada é resultado de um excesso de arrecadação. “Não somos contra o povo, não queremos que os funcionários fiquem sem salário, mas temos que ter uma explicação do prefeito.”
Segundo o advogado da Prefeitura, o prefeito Donizete Montagnini, o Zetão (PSC), está à disposição dos vereadores.
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