Câmara Municipal


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Durante toda essa última legislatura, vários foram os momentos em que a Câmara Municipal deu mostras de sua grande capacidade de criar fatos que foram ótimos para o trabalho da imprensa, mas infelizmente de pouca utilidade para a cidade. Criticados por boa parte da população durante todo esse período, após as eleições os vereadores francanos pareciam já estar acomodados com o final do mandato e dispostos a terminá-lo com mais discrição. Ledo engano, terminado o pleito, logo nas primeiras sessões eles já voltaram à carga.

Primeiramente foi a confusão relacionada ao nome do novo Pronto Socorro que está sendo construído no Jardim Aeroporto. Esquecendo-se de que já havia um projeto de lei de autoria do vereador Paulo Zamikhowsky (PSB), apresentando há mais de dois anos, seu colega, o vereador Silas Cuba (PT), apresentou um novo nome para o PS, sem que a primeira sugestão tivesse saído do papel.

Percebida a gafe, graças à denúncia da Rádio Difusora AM, a Câmara fez uma reunião de emergência e resolveu adiar a votação para não criar constrangimentos para as famílias dos possíveis homenageados. Essa atitude de postergar, no entanto, não elimina o vacilo, nem mesmo essa constância de erros que parece ter se instalado nessa legislatura.

Em segundo lugar, veio a extemporânea e estranha homenagem ao ex-presidente Lula. De acordo com um projeto de lei proposto pelo vereador Silas Cuba, ele deverá tornar-se o mais recente cidadão francano, com base nos ‘relevantes serviços prestados ao município’, como antecipa a proposta.

Sem entrar no mérito da questão, é importante lembrar que outros presidentes já se tornaram cidadãos francanos sem nunca terem pisado na cidade para receberem seus títulos. Juscelino Kubitschek e os generais Castelo Branco e Costa e Silva já foram homenageados pela Câmara, algo que nem eles nem a cidade parece ter notado.

No caso específico de Lula, afora suas vindas à cidade em função de suas atividades sindicais e de uma única visita como presidente, é difícil encontrar alguma relação mais expressiva que pudesse uni-lo à sociedade francana. O que sobra, no fundo, é mais uma daquelas homenagens que têm mais valor para quem propõe do que para a cidade. Em si mesma essa proposta talvez sirva mais para exemplificar o vazio que permeou boa parte dessa legislatura do que para homenagear o ex-presidente, já que dificilmente ele viria a Franca receber essa homenagem, sem nenhuma eleição ou disputa que motivasse o deslocamento.

No fundo, a Câmara de Franca reforça na cidade uma impressão negativa em relação à Casa. Para não dizer outra coisa, o constrangimento dos nomes do PS e a homenagem a Lula é apenas mais do mesmo, sendo que o mesmo foi sempre pouco, insosso e dispensável.

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