Pelos bares de São Paulo


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Alex Atala e Facundo Guerra se unem para ressuscitar o antigo bar Riviera
Alex Atala e Facundo Guerra se unem para ressuscitar o antigo bar Riviera

Quanto de perigo há em se passear a pé e à noite em São Paulo realmente não sei dizer. Para alguns parece um absurdo, para outros uma rotina. Sempre que o faço, provo um misto de liberdade e medo - porque simplesmente não dá para ser leve. Dito isso, não sei lhes dizer como seria uma incursão pelo Baixo Augusta, no entanto, a gastronomia vale a pena pelo inusitado, pelo preço e sobretudo porque ali não soltamos a mão da realidade, como tantas vezes somos induzidos a fazer quando entramos num restaurante estrelado.

Não é de hoje que aquela região chama a atenção - encontro matérias publicadas no NY Times em 2009 que já relatavam a boa comida. Nem é de hoje que reconhecidos donos da noite paulistana investem naquele local.

O Baixo Augusta pede um certo arrojo. Não dá para simplesmente montar um bom bar ou restaurante, é preciso ter aquele algo mais. Pois bem, o Z Carniceria tem. Não sei qual era exatamente a ideia inicial, mas o fato é que o bar ocupa um velho açougue, o primeiro matadouro da rua Augusta: Açougue Z. Por isso o nome.

Com o andamento das reformas, tira reboco daqui e dali, encontraram uma parede de azulejos antigos quase intacta - aqueles azulejos brancos antigos -, e também os ganchos usados para dependurar a carne abatida. Não tiveram dúvida: “deixa tudo aí”. O achado virou a razão do nome e vai saber do que mais. O resultado é meio assustador, meio frio, evoca a carne de uma forma aguda, como se levássemos ao extremo a cena e a sensação de um corte de carne mal passado.

O cardápio, nada incomum, nem assustador, mas bem gostoso. Calabresas, bolinhos de mandioca, pastéis, coxinhas, hambúrgueres, lanches vegetarianos e saladinhas.

Outro bom endereço, esse superdescolado, bom para paquerar, para ver gente da moda, curtir música muito boa, escolhida a dedo, curtir um visual muito cosmopolita e tomar drinks originais, como o feito de uva Brasil macerada com gengibre, suco de limão e vodca, é o Bar Volt. O local foi selecionado pelo respeitado guia Wallpaper como destaque de designer e estilo no mundo. Também não é pra menos, o estilo do bar chama a atenção. Lotado de neon para todos os lados, o bar inebria. O proprietário teve uma sacada: recolheu vários neons retirados das fachadas comerciais, devido ao projeto Cidade Limpa de São Paulo, e os colocou no bar. Não são apenas luzes, são letreiros antigos que, desavisados, continuam a evocar seus antigos endereços. Dizem que o local é a ante-sala das melhores baladas da cidade.

Pois bem, ia tudo muito cool e meio underground, até que um peso pesado da parte ricaça da cidade, aquela do lado de lá da Paulista, resolveu se juntar ao proprietário desses dois locais já citados. Está previsto para o segundo semestre de 2013 a abertura de um bar/restaurante assinado por Alex Atala (D.O.M. e Dalva e Dito) e Facundo Guerra. A comida tem de ser a melhor, é claro. O local não foi açougue, mas tem histórias de sobra, também não sabemos o que as escavações trarão, também não se pode ainda saber o que se passa na cabeça de Facundo Guerra, reconhecido na noite paulistana. O antigo bar Riviera, na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, já está sendo preparado. O bar, frequentado por Chico Buarque, Elis Regina, Angeli e provavelmente todos os artistas de esquerda do século passado, se prepara para novos tempos. A personagem Rê Bordosa, do cartunista Angeli, por exemplo, foi inspirada numa das frequentadoras do Riviera. O local escolhido é parte da história de São Paulo e do movimento da esquerda brasileira. Tomara que a comida seja simples, boa e barata, tomara que a dupla tenha paciência para ouvir os segredos que ainda ecoam por lá.

DICA DA SEMANA

Estou as voltas com um novo livro de receitas. É sempre assim, a gente se apaixona várias vezes, por vezes adotamos um autor, uma etnia para mais tarde trocá-los por outro, uma infidelidade nata.

Pois bem, o da vez é o livro sobre pães da editora Publifolha - aliás, uma dica preciosa: até hoje todos os livros de culinária que comprei dessa editora são excelentes! As receitas sempre dão certo, os autores são sérios e competentes.

Quero trazer para cá outras receitas, mas achei esse pão muito bom. Porque ele dispensa a sova e o tempo de crescimento. Perfeito para nossa correria. É pão de bicarbonato, que deverá ser comido de modo express, de preferência ainda quente.

Os ingredientes secos são: 250 g de farinha de trigo branca ou integral; 1 colher de chá de sal; 2/3 de colher de chá de bicarbonato de sódio. O ingrediente molhado: 260 ml de leite integral

Junte os secos e misture bem. Despeje o leite e misture rápido e pouco, só até dar liga. Enfarinhe bem uma superfície lisa, dê o formato de bola, achate-a um pouco e, se quiser, faça aqueles cortes com lâmina por cima, tal qual um pão italiano. Forno por cerca de 30 minutos, ou até que esteja assado. Para saber, vire-o e bata no fundo o som de assado é um som de oco. E é só, um bom e rápido pão, vai bem com manteiga e geleias.

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