Dois jovens foram espancados e assaltados por volta das 4 horas de ontem, após saírem de uma boate na rua Vicente Richinho, no Distrito Industrial. Para uma das vítimas, que é gay assumido, o ato não foi apenas um assalto, mas teve motivação homofóbica, já que ele estava em companhia de um amigo que é travesti. “Pela maneira que tudo ocorreu, posso acreditar que sim. Às vezes, eles me viram na porta da boate com meu amigo e nos seguiram. Sou gay assumido em Franca. Eles queriam bater, não roubar, pelas atitudes que eles tiveram”, disse o designer.
Segundo o designer de interiores de 21 anos, morador na região central, ele conduzia um Fiat Palio pela avenida Wilson Sábio de Melo quando foi fechado por dois carros, sendo um Gol prata e o outro não identificado. Cerca de dez homens desceram dos veículos e os agrediram com chutes e socos, além de depredarem o Palio e levarem óculos de sol, celulares, o aparelho de som do carro e um par de tênis das vítimas.
Os dois rapazes participavam de uma festa organizada por uma universidade local. Segundo o designer, quando eles foram fechados, bateu seu carro, que teve o eixo quebrado. Sem ter como fugir, o designer levou vários socos ainda dentro do carro. Os dois ocupantes foram tirados à força. As vítimas foram pressionadas contra o alambrado de uma empresa.
“Começaram a pedir dinheiro, pedir os bens. Enquanto alguns batiam, os outros faziam o limpa no carro. Começaram a depredar, subiram em cima. Amassaram o capô, as laterais, quebraram os retrovisores. Por dentro, desmontaram algumas partes”, contou o designer, que disse ter visto um revólver na cintura de um dos agressores.
Após 20 minutos de violência, segundo a vítima, a gangue pegou os objetos e devolveu a chave para o designer, que, mesmo com o carro quebrado, conseguiu conduzi-lo até a casa de uma amiga, em um bairro próximo. Ele não sabe se há testemunhas ou se a Polícia Militar compareceu no local.
Com escoriações pelo corpo, os agredidos procuraram o Plantão Policial, onde registraram um boletim de ocorrência de roubo. Segundo informações preliminares dos policiais, o celular do designer, levado pelos ladrões, tem um rastreador e pode ser localizado através do dispositivo. “Eu não quero tocar isso para frente, porque eu não sei com que tipo de gente eu estou mexendo. Espero que façam bom proveito com o que levaram”, lamentou o jovem.
Na tarde de ontem, horas depois do crime, restou, além das marcas no corpo da vítima, o medo de retornar à boate no Distrito Industrial. O pedido é para que a polícia reforce a segurança na região. “A partir de hoje não volto mais lá. Não quero frequentar esse lugar. É um sentimento de invasão de privacidade. Ofende a gente”, finalizou.
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