Meu primeiro acampamento


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O primeiro acampamento a gente, também, nunca esquece. Nesse mesmo local, há anos. Pé da Canastra, margens do São Francisco, ao lado de garimpo. Muitas árvores. Tudo rústico, nenhum conforto. Atrasados para as primeiras providências: fizemos tudo às pressas, que era julho e escurecia cedo. Fogueira, para espantar os bichos. Cozinha ao lado. Barracas em volta. Marinheiros de primeira viagem muitos de nós, sem qualquer prática, tínhamos dificuldade para montá-las: as peças não encaixavam, desmontavam. No final deu tudo certo. O frio lentamente desceu, já era tarde, precisávamos tomar banho. Meio copo de whisky puro, sabonete e toalha de banho, fui com meu irmão mais velho, sob uma lua cheia de encher os olhos, para a margem do rio. Sem óculos e meio cega, achei que pisaria numa pedra gigante. Gigante, mas a metro e meio da superfície. Dizem que foi a fogueira, acho que foi o berro que dei ao mergulhar na água fria, o que espantou a bicharada. Poeira, buracos, pedras, pés de arnica, Vale da Babilônia, Caminho do
Céu: era levantar a mão e tocar nas nuvens. Paisagens de perder o fôlego.

Dois dias de acampamento, cachoeiras, Casca d’Anta, nenhum conforto proporcionados por banheiro ou sanitários. Necessidades físicas? Outro irmão, mais novo e experiente, aconselhara: líquidos, no rio mesmo. Sólidos, escolhêssemos canto discreto no imenso garimpo e, por favor, cobríssemos quaisquer vestígios para ninguém se sujar ao andar por lá. Com galhardia segurei a onda aqueles dois dias. No terceiro, a necessidade falou mais alto que a elegância. Psicológica e discretamente me preparei e fui. Voltando, não pude deixar de pensar que descobrira a origem da expressão ‘pôr uma pedra em cima’. E de compreendê-la literalmente.

(Lúcia H. M. Brigagão)

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