Dia desses, cansado de ver e ler tantas estapafúrdias digitais nas redes sociais e jornais, não me contive e emiti o seguinte comentário: ‘Acho engraçado esse povo que fala contra os Direitos Humanos.
Pela opinião que emitem e por não se incluírem como beneficiários dos tais Direitos Humanos, devem, no mínimo, serem animais grunhindo. Só pode...’. Não demorou muito e o feedback apareceu.
‘Direitos humanos dos manos você quis dizer!?’, ‘Direitos humanos pra quem é humano, bandido não é humano!’. Sabia que na atual conjuntura de violência e (falta) de segurança pública, qualquer defesa em favor dos direitos humanos soaria como defesa desmedida de presidiários, criminosos e grupos humanistas.
No entanto, espantei-me ao constatar que hoje em dia, direitos humanos são vistos como direitos de preso ou de bandido.
Esquecem-se que até mesmo a liberdade de expressão, que baseou meu comentário, o feedback deles, e esta minha opinião escrita neste Comércio, são garantidos por um latente direito dos indivíduos, inalienável e eterno.
O direito à vida, julgo, é o mais importante deles. Dizia Coelho Neto, escritor e político brasileiro, que ‘a vida é o bem precioso que se deve zelar com todas as cautelas, além do interesse de cada qual’.
Assim, diante de tantas mortes e violência, os direitos humanos estão em crise. A crise se instaurou desvalorizando a vida de si próprio e dos outros, de forma que há quem defenda grupos de extermínio.
A crítica porém abrange também os grupos de defesa dos tais direitos humanos.
É fato que não vi nenhum grupo visitar ou ferozmente defender policiais que tentam proteger a vida dos cidadãos contra aqueles que não valorizam nem a própria vida.
Certo é que de um lado e de outro, no ‘bem’ e no ‘mal’, os direitos humanos são para todos e devem ser por todos exercidos e protegidos ainda que a realidade tente nos fazer ver e querer que seja diferente.
Direitos humanos não são somente para humanos direitos. Se assim fosse, nenhum de nós estaria apto a exercer tais direitos uma vez que, indubitavelmente, não há ninguém que nunca tenha errado.
E a mudança, ela se inicia com o exemplo dado por aqueles que conseguem e são capazes de enxergar o direito na situação de caos.
Também, por aquele que é capaz de utilizar as armas legais contra o que fere o direito.
Consolida-se, por fim, naquele quepreserva a vida, independente de quem seja. Afinal, ou somos humanos, e usufruímos todos desses tais ‘direitos humanos’ ou somos animais e voltamos ao Talião, no conhecido ‘olho por olho, dente por dente’.
Deny Eduardo Pereira Alves
Presidente do Conselho Municipal da Juventude, estudante da Faculdade Direito Municipal
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