Os alunos da Escola Carmem Munhoz Coelho realizaram diversas atividades e uma mostra para refletir sobre o Dia da Consciência Negra, comemorado no último dia 20. Leia o texto abaixo produzido pelas professoras da escola, no qual elas descrevem o intuito de cada apresentação dentro desta temática.
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Na noite de 19 de novembro de 2012, foi realizado na Escola Carmem Munhoz Coelho o evento “Dia da Consciência Negra na Escola”, produzido e apresentado à comunidade escolar por alunos dos 8os e 9os anos do Ensino Fundamental.
Encerrava-se nessa noite o Projeto “Pluralidade Cultural: Do Slogan à (Re)Construção da Consciência” desenvolvido ao longo do ano letivo. Esse projeto contou com leitura de textos de opinião, reportagens, textos literários, análise iconográfica de obras de arte, exibição de documentários e filmes, escuta de músicas e uma visitação aos Museu Afro Brasil e Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.
Para a noite de encerramento, os alunos organizaram diferentes exposições em quatro salas:
1) Sala Pedacinhos da África, pedacinhos de nós: exposição de objetos das casas da comunidade, com o intuito de dar visibilidade à identidade local. Pais, funcionários e professores contribuíram com objetos de suas próprias casas e os alunos montaram o espaço de fruição.
2) Sala Faces - exposição de fotos de si mesmos e dos ativistas (na política e na arte) que lhes marcaram os estudos e pesquisas, refletindo o encontro de faces e vozes ocorrido durante todo o projeto. Os alunos indicaram os ativistas quando solicitados a citar o nome das pessoas que lhes atravessaram a vida ao longo do ano, promovendo a mudança de seu pensamento, marcando sua forma de ver, ouvir e sentir o assunto tratado. Foram escolhidos por eles Barack Obama, Caetano Veloso, Castro Alves, Chico César, Chimamanda Adichie, o grupo O Rappa, Ferréz, Gandhi, Gilberto Gil, Jane Elliott, Joaquim Barbosa, Jorge Amado, Jorge Aragão, Leci Brandão, Machado de Assis, Malcolm X, Mandela, Mano Brown, Martin Luther King Jr, Milton Nascimento, Milton Santos, Rappin Hood, Ray Charles. O homenageado de destaque nessa sala foi Zumbi dos Palmares, cuja foto foi posicionada no centro da parede principal. Vale salientar que Barack Obama, embora não tenha sido uma personalidade discutida durante os trabalhos, foi citado por alguns alunos por ser o primeiro presidente negro dos EUA. Após terem assistido ao filme Ray e tomado consciência da segregação racial na história daquele país, esses alunos atribuíram novos sentidos para a sua eleição.
3) Sala Traços, Cores, Luz - exposição de releituras de obras clássicas. Esse espaço foi reservado à exposição das releituras produzidas pelos alunos, decorrentes do trabalho voltado à reflexão iconográfica sobre o negro na história do país, a partir de telas de Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari.
4) Sala Machado de Assis – nesse espaço os alunos promoveram uma reflexão sobre o olhar crítico do escritor Machado de Assis face às questões social e psicossocial relacionadas à abolição da escravatura, apresentando o autor aos pais e encenando sua crônica “19 de maio”.
No corredor da escola, os pais eram conduzidos por alunos recepcionistas, que indicavam o caminho e apresentavam a proposta cultural da noite, explicando a vivência realizada ao longo do ano letivo. Na sequência eram levados por outros alunos para cada uma das salas, nas quais encontravam alunos monitores que conduziam a visitação, explicando a constituição do espaço e respondendo a dúvidas dos pais, que faziam a expedição em grupos de 10 a 15 pessoas. Após o grupo visitar todas as salas, era conduzido por um aluno ao Quintal Cultural (pátio da escola), espaço em que também era recebido por novos monitores que o saudavam e indicavam os lugares para que se sentasse. Enquanto esperavam a apresentação, os visitantes assistiam a uma exposição em vídeo das fotos dos alunos em realização de trabalhos ao longo do ano e da visitação aos museus de São Paulo, ao som de músicas de Milton Nascimento e Sandra de Sá.
Concluída a expedição e todos os pais acomodados no pátio, os alunos exibiram um vídeo produzido por eles: rostos pintados e afirmações sobre sua identidade cultural e ancestralidade africana e convite à reflexão sobre a necessária construção da consciência negra. Na sequência, foram apresentadas uma dança, com a música Shimbalaiê de Maria Gadu, produzida por um grupo de alunas, uma roda de samba formada por alunos das mesmas séries, cantando a música “Não deixe o samba morrer”, de Alcione e por último, a apresentação instrumental de música raiz, por um aluno musicista do 9º ano.
Os pais e professores vibraram durante todas as apresentações, aplaudindo e apoiando os alunos que se apresentavam. Ao final, foram convidados a se servir no banquete de frutas também preparado pelas próprias alunas.
Em todas as apresentações, os alunos convidavam incessantemente os pais e outros visitantes à reflexão social necessária no dia 20 de novembro e o fizeram por meio de diferentes linguagens.
As famílias saíram felizes da escola e surpresas com a maturidade e sensibilidade demonstrada pelos alunos do ensino fundamental. Além disso, alguns pais já manifestaram o desejo de participar do evento no ano subsequente, inclusive como monitores das salas de exposição.
Entre os convidados, estavam presentes ainda, ex alunos da escola que foram precursores do projeto em 2011. Esses alunos que no ano anterior produziram o vídeo “Vozes”, utilizado em 2012 como material de estudo dos novos alunos, prestigiaram o evento, fotografaram, apoiaram e produziram uma campanha no Facebook para que todos comparecessem, o que sinaliza que o protagonismo juvenil está se construindo nessa comunidade e transcende o trabalho escolar, constituindo ação social efetiva.
Em suma, o objetivo do trabalho que era fomentar a discussão e movimentar a constituição e o reconhecimento da identidade individual e social de toda a comunidade, além, evidentemente, de estimular atitudes de repúdio e combate ao racismo, foi ampliado em relação às expectativas iniciais. Integrados à escola, alguns pais para além de refletirem e levarem adiante sua reflexão, desejam ser protagonistas das próximas ações no interior da escola.
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