Franca de novos sabores


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Quem conheceu a cidade de décadas atrás e olha para a de hoje com olhos despidos de pré-conceitos não tem nenhuma dúvida: Franca está se transformando cada vez mais e sua economia experimenta uma diversificação sem igual nesses seus 188 anos de história. Sem perder as características de cidade de interior, começa a mostrar ares de centros mais avançados, oferecendo a seus cidadãos uma gama mais variada em termos de empregos, formação educacional, negócios, lazer e entretenimento. Sem deixar de lado a força e a tradição de sua indústria calçadista e das lavouras de café, a cidade se abre também para o comércio, serviços e novas indústrias.

Nesse sentido, é interessante perceber como essa diversificação na base da economia reflete-se também na mudança de comportamento de sua população. Aos poucos, os hábitos e costumes vão ganhando novas e modernas colorações. Mas não há substituição, o que existe é uma soma. Por um lado, a permanência das importantes tradições. Por outro, a pluralidade dos grandes centros que vai lentamente se apoderando da unitariedade do pensamento provinciano e abrindo nossas mentes para o que há de melhor nesse mundo globalizado, ou seja, as diferenças entre povos e pessoas, aquilo que se bem aproveitado cria a unidade dinâmica de uma cidade, estado ou país.

E isso é muito bom. Se quisermos fazer de Franca um importante centro urbano e econômico do país é preciso abri-la às diferenças e superar os anacronismos. As pessoas acostumadas aos grandes centros, geralmente homens e mulheres de negócios e de viagens, estão sempre em busca de produtos e serviços diferenciados e variados.

Faz parte do jogo. E Franca parece que está aprendendo a jogá-lo, tanto os empreendedores que agora estão se lançando a esses novos desafios, como também os consumidores que começaram a aprender a importância dessas mudanças e hoje oferecem seu apoio ao comércio e ao serviço locais, deixando de buscá-los em outras localidades, como acontecia anteriormente. Parece que Franca perdendo o medo dos ‘sabores’ mais refinados do mundo cosmopolita. Ao descobri-los, a cidade se encanta e se dispõe a novas experiências, o que vai abrindo cada vez mais o leque de opções em sua vida cotidiana.

É claro que ainda falta muita coisa. Franca ainda precisa de uma vida cultural mais ativa e intensa. Cinemas que tragam uma programação mais diversificada, com filmes que não obedeçam apenas às diretrizes holywoodianas. É necessário também outras possibilidades teatrais, que não se restrinjam ao excelente, mas insuficiente trabalho desenvolvido pelo Sesi.

Mas não podemos reclamar. Para uma cidade que até pouco tempo vivia em torno de uma única indústria e era bastante reservada e tradicional em termos de costumes, até que já melhoramos bastante. E o dia de hoje é para comemorar.

Só falta agora um aeroporto à altura de nossas expectativas.

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