Calote cresce em Franca


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Já mencionamos nesse mesmo espaço que a situação de endividamento do brasileiro está piorando, sobretudo se considerarmos as classes de mais baixa renda. Estimuladas pelo crédito farto, pelo desenvolvimento tecnológico que nos possibilita o acesso aos mais modernos equipamentos e pelas eficazes técnicas de marketing que estimulam o consumo, essas classes lançaram-se às compras com a voracidade de quem ficou séculos à margem do desenvolvimento brasileiro.

Porém, comprar sem dinheiro tem um limite, algo que temos dificuldade em perceber quando estamos de posse do sagrado cartão, um pedaço de plástico capaz de nos alçar aos delírios de um consumo ao qual não deveríamos sucumbir, pelo menos não da maneira irracional como muitos estão fazendo.

Levantamento da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) elaborado junto ao banco de dados da Boa Vista/SCPC mostra que a dívida do francano hoje é alta e que ela cresceu 5% no último ano. De um total de 56,6 mil devedores, cerca de 35% possuem de duas a cinco contas para saldarem e aproximadamente 2 mil consumidores têm dez ou mais dívidas em atraso.

O problema não é nenhuma novidade, no entanto, sua densidade já parece incomodar as autoridades e os analistas. Se o endividamento continuar a crescer nessa mesma proporção, logo seremos obrigados a experimentar uma queda no consumo e a vivenciar os riscos de uma recessão, pois não haverá dinheiro suficiente para saldar as dívidas que ficaram para trás e para encarar outras que seriam o resultado de novas compras, ações fundamentais para que o sistema continue girando.

Dentro desse contexto, o país parece encaminhar-se para uma sinuca de bico. No curto prazo será preciso continuar estimulando o consumo para fazer o país crescer, mas, ao mesmo tempo, será necessário frear um pouco esse mesmo consumo, ou pelo menos encontrar mecanismos para que a inadimplência não cresça, pois se isso ocorrer boa parte dessa cadeia de produção e consumo poderá ser inviabilizada.

Apesar de aparentemente contraditória, essa situação talvez pudesse ser resolvida se o Brasil fizesse sua lição de casa, aprovando as reformas estruturais necessárias, investindo de forma concreta em saúde e educação e diminuindo a desigualdade social e econômica que ainda resiste em nosso país. Mas isso, infelizmente, ainda não foi feito, apesar dos avanços experimentados nas últimas décadas. Se a situação apertar, sem dinheiro e sem crédito, boa parte da população terá que abdicar do consumo e concentrar-se em pagar as dívidas anteriormente contraídas.

Como diz o velho ditado, ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’. E decidir-se por ficar ou correr não será nada fácil nos próximos anos. Como já dissemos, nesse país falta coragem política para fazer as reformas e seguir rumo ao desenvolvimento, sem medo de crises ou de recessões.

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