O horário marcado era 21 horas, porém, às 20 horas o Teatro Municipal já registrava uma grande movimentação de pessoas no último sábado. Às 20h40 encontrar um assento para ver de perto a primeira ópera encenada na íntegra pela Orquestra Sinfônica de Franca era tarefa complicada. O debute, esperado por cerca de 390 pessoas, veio em grande estilo com a adaptação lúdica de O Empresário (Mozart), feita pelo maestro Nazir Bittar.
Em um telão que tomou toda a visão de fundo do palco, personagens em desenho animado fugiam para realidade e incorporavam-se nas peles e ossos dos artistas convidados. Laryssa Alvarazi, Manuela Freua, Cleyton Pulzi e Wladimyr Carvalho formaram o elenco principal que contou ainda com a participação de Carla Barreto, Lilian Giovanini e Priscila Cubero. “Quando o Nazir me ligou e contou sobre a ideia eu disse: estou dentro! Pode me mandar o que eu preciso fazer e está tudo certo”, revelou Priscila. Mesmo com apenas dois dias de ensaio, orquestra e cantores acharam o tom e o que se viu no palco foi um resultado harmonioso. “Foi uma loucura organizar tudo porque eram vários marinheiros de primeira viagem, e isso não é um demérito, pelo contrário, é uma coisa muito gostosa mas que requer uma atenção a mais”, disse o maestro.
Laryssa e Manuela, protagonistas do duelo entre Madame Herz e Mademoiselle Silberklang pelo papel principal na audição do Empresário, ficaram animadas com o público francano e com a experiência de se verem como desenhos animados. “A gente acha louvável que a cidade tenha uma programação tão bacana”, afirmou Manuela. “Adoramos estar aqui e queremos muito voltar. A gente sabia que o público ia gostar (do espetáculo), porque ficou muito bom. O desenho é perfeito!”, completou Laryssa.
A atração durou cerca de uma hora e arrancou gargalhadas da platéia. “Essa mistura da ópera com o lúdico cativou muito a todo mundo. Demos boas risadas. Eu trouxe a minha filha de 5 anos e ela ficou maravilhada. Disse, durante o espetáculo, que gostou muito de estar de estar aqui”, revelou a psicóloga Tânia Silveira, que foi com a família conferir o evento que contou 32 músicos e sete cantores.
Na noite de domingo a ópera foi novamente apresentada e, de acordo com a organização do teatro, com direito a casa cheia.
O ESPETÁCULO
Tudo começou com um grande telão. Um porteiro (desenho animado) desconjuntado avisava com um cartaz que o teatro estava aberto para audição. A oferta para estrelar em Salzburg, na Áustria, atraiu o interesse de várias candidatas que formaram enorme fila em frente ao teatro. As principais concorrentes eram as mademoiselles Clara Bartero (Carla Barreto), Niniala Vilginio (Lilian Giovanini), Cela Rubi Prisco (Priscilla Cubero) e as rivais, quase mortais, mademoiselle Silberklang (Manuela Freua) e madame Herz (Laryssa Alvarazi).
Com um figurino repleto de cor, brilho, plumas e acessórios, cada uma foi chamada ao palco pelo Empresário (Clayton Pulzi). Neste momento, o desenho animado se encaminhava para a audição e transformava-se em pessoa real. Tudo ia bem até que as avaliações foram interrompidas pelo desacreditado Buffo (Wladimyr Carvalho), que, vestido de mulher, a todo momento tentava mostrar seu potencial. Enquanto isso as rivais quase enlouqueciam o Empresário. Ao final, o Buffo foi contemplado com o papel principal causando surpresa e risos.
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