O que não falta em Franca são obras polêmicas. Se já não bastasse a reforma do esqueleto na entrada da cidade, que abrigará a Secretaria Municipal da Educação, agora é a vez do viaduto roubar a cena e voltar como vedete ao noticiário local, posição que ocupou por longo tempo, antes de sua aprovação na Câmara Municipal.
O motivo é simples, mas nada enaltecedor. Já com a obra em pleno andamento e dentro do prazo, eis que dos bastidores surge uma voz dissonante, daquelas que ninguém quer ouvir, informando que as enchentes que ocorrem no local não foram corretamente consideradas no projeto.
Pelo projeto original, a ampliação do leito do Córrego Cubatão seria feita apenas no trecho sob a nova ponte que será construída debaixo do viaduto. O problema é que essa intervenção é insuficiente para conter as águas que correm por ali nos dias mais chuvosos de verão. Para resolver de vez o problema, será necessário ampliar o leito por cerca de 140 metros, entre o Fórum e o cruzamento da Avenida Sete de Setembro.
A gritaria, obviamente, foi geral. Os críticos do viaduto e da atual administração já começaram a levantar suspeitas em relação ao erro, considerado muito elementar para que fosse cometido sem segundas ou terceiras intenções. Os defensores, ao contrário, argumentam que errar é humano e que isso pode acontecer com qualquer um e em qualquer administração.
A Câmara Municipal, por sua vez, não perdeu tempo e já entrou na polêmica, afirmando que cobrará explicações da Prefeitura pelas falhas no projeto, não tanto pelo atraso, mas sobretudo pelos R$ 2,3 milhões que não estavam previstos e que precisarão sair dos cofres públicos francanos.
De forma geral, é até possível concordar que errar é humano e que a falha é uma companheira constante das ações empreendidas pelo homem. No entanto, a considerar o histórico de erros que permeia os projetos, os orçamentos e as licitações de obras públicas no Brasil, sobretudo nesses momentos mais eufóricos de Copa do Mundo e de Olimpíadas, com obras já experimentando um acentuado encarecimento em relação aos valores que foram orçados, é bastante recomendável que se ouça os responsáveis pelo projeto e que se investigue os motivos que levaram aos erros, pois afinal é o dinheiro público que está sendo levado por essas esquecidas enchentes.
Nesse sentido, os vereadores estão certos. Mesmo considerando que o viaduto já é uma realidade sem volta e que os gastos adicionais terão que ser desembolsados, é preciso investigar o processo. Caso seja constatada alguma irregularidade, que o Ministério Público entre em ação e processe os culpados.
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