Defesa Civil discute demora para obter água em incêndio da Nicácio


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Bombeiros tentaram controlar incêndio na Vila Nicácio esta semana
Bombeiros tentaram controlar incêndio na Vila Nicácio esta semana

O incêndio de grandes proporções que atingiu a antiga fábrica Calçados Soberano, na Vila Nicácio, na noite da última quarta-feira, expôs a vulnerabilidade da Defesa Civil em Franca. A demora para conseguir reforço no fornecimento de água para combater as labaredas de até 20 metros deixou o clima ainda mais tenso entre os bombeiros e policiais que atendiam à ocorrência e assustou os moradores. As dificuldades enfrentadas no dia e formas de evitar que se repitam serão tema de reunião da Defesa Civil agendada para esta segunda-feira, no Corpo de Bombeiros.

A expectativa do capitão Marcelino Patrício dos Santos, comandante dos Bombeiros de Franca e presidente da Defesa Civil do município, é avaliar os procedimentos adotados durante o incêndio da semana passada e repensar a logística dos órgãos que podem auxiliar no combate a sinistros. “Já temos todos os procedimentos de apoio definidos, mas é necessário afinar algumas questões para melhorar o serviço.”

O conselheiro tutelar Marcelo Mambrini mora na rua Diogo Feijó e sua casa faz fundos com o prédio incendiado. Mambrini acompanhou o trabalho dos bombeiros e auxiliou na busca de ajuda para controlar as chamas. Ele disse que ficou impressionado com a falta de comunicação e de um cronograma de atendimento para casos como aquele incêndio. “Foi uma dificuldade acionar apoio. Os caminhões dos Bombeiros tiveram que abandonar o incêndio para se reabastecerem de água em hidrantes porque os caminhões pipa não chegavam.”

Mambrini teme que a situação se repita. “Vivi o sufoco na pele, vi o fogo a dez metros da parede da minha casa. Franca não pode nem sonhar em ter um evento de grande porte por causa das dificuldades da Defesa Civil.”

O capitão Marcelino disse que o fogo se alastrou rapidamente porque os materiais nas fábricas de calçados e palmilhas eram altamente inflamáveis, mas que, mesmo com as dificuldades, a resposta foi satisfatória e o incêndio não atingiu as residências nem teve vítimas graves. “Esse incêndio foi uma exceção, pelo horário em que ocorreu - à noite -, as proporções e a localização do prédio perto de residências. A Prefeitura e a Sabesp foram acionadas e seguiram uma logística para nos fornecerem caminhões com água.”

O comandante dos Bombeiros alega que três viaturas equipadas com bombas de água foram deslocadas para a Vila Nicácio, mas que não ficaram desabastecidas ao mesmo tempo. Além da Prefeitura e Sabesp, usinas da região enviaram caminhões com água. Foram gastos 120 mil litros para conter o fogo, que começou por volta das 21 horas e avançou pela madrugada.

DEFESA
O secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, que recebe apoio da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente para deslocar caminhões-pipa quando ocorrem grandes incêndios, reconhece a necessidade de rever esse suporte. “Vamos avaliar o que faltou no caso da fábrica.”

Buranelli já antecipou que a Prefeitura não tem condições de manter funcionários de plantão para atender esse tipo de ocorrência porque teria que pagar hora extra. “Vamos tentar encontrar um meio de atender a essas ocorrências. ”

O gerente da Sabesp, Rui Engracia, disse que o suporte oferecido pela companhia é voluntário e o atendimento na quarta-feira foi dentro do prazo esperado.

Representantes da Polícia Militar, Guarda Civil, Sabesp e secretarias são esperados para a reunião da Defesa Civil amanhã, que também vai discutir meios de aprimorar o atendimento em casos de enchentes e inundações.

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