Empresa São José tem que investir R$ 17 mi para cumprir contrato


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Usuários entram em ônibus da empresa São José, que, em processo para rever contrato, afirma ter mais veículos do que Franca precisa hoje
Usuários entram em ônibus da empresa São José, que, em processo para rever contrato, afirma ter mais veículos do que Franca precisa hoje

Para cumprir o atual contrato de prestação de serviços de transporte coletivo assinado com a Prefeitura de Franca em 2009, a Empresa São José teria que desembolsar imediatamente pelo menos R$ 17 milhões. A soma  se refere aos quase 70 novos veículos exigidos pelo contrato e que ainda não foram comprados pela empresa.

Há duas semanas, o Comércio da Franca denunciou a quebra de contrato por parte da São José. A concessionária não está cumprindo diversos pontos exigidos na licitação para operar o sistema de transporte público francano até 2019. Entre os principais, estão a falta de veículos e a não instalação de quatro novas linhas circulares.

Em setembro do ano passado, a São José ingressou na Justiça para tentar rever pontos do contrato, alegando que está tendo prejuízos constantes. A ação ainda está correndo na 4ª Vara Cível de Franca (leia mais na página seguinte).

Pelo contrato, a São José deveria operar na cidade com 134 ônibus neste ano. Mas atualmente a empresa tem apenas 109 veículos. Para se adequar ao que exige o contrato, teria que adquirir 25 novas unidades. No processo judicial, a empresa afirma que cada ônibus normal custa R$ 270 mil. O investimento necessário para chegar aos 134 ônibus, então, seria de R$ 6,75 milhões.

O contrato ainda exige a compra de 30 microônibus adaptados com elevador para operar nas linhas radiais de menor fluxo. Cada veículo deste modelo custa em média R$ 132 mil, de acordo com o site da Prefeitura de São Paulo -a São José só apresenta custo do ônibus normal. O gasto com os microônibus seria de cerca de R$ 3,96 milhões.

Para operar nas quatro novas linhas circulares exigidas pelo contrato, a empresa deveria comprar 10 ônibus articulados (os “ônibus sanfona”) de 15 metros cada um. Como o custo estimado de cada veículo desses é de R$ 518 mil, o gasto total seria de R$ 5,18 milhões.

Por fim, para o transporte de pessoas com deficiência, a licitação determina a compra de mais duas vans adaptadas, que custam R$ 125 mil, um investimento de R$ 250 mil.

Seriam, então, R$ 16 milhões apenas com a compra dos veículos. Como para colocar esses ônibus e vans em operação seria necessária a contratação de mais funcionários e um aumento nos gastos com combustível e manutenção, a empresa teria que gastar ainda pelo menos mais R$ 1 milhão por ano.

17% A MAIS
Na ação que move na Justiça, a São José apresentou um estudo assinado pelo consultor paulistano Pedro Kassab em que afirma ser desnecessário o aumento de sua frota de veículos e pede ao juiz que desconsidere essas cláusulas. O estudo aponta que, para atender à atual demanda da cidade com qualidade, bastariam 98 ônibus. Como a São José tem 109, ela estaria operando com 17% a mais de veículos que o ideal, sendo, portanto, desnecessário o investimento em mais ônibus e vans.

A Prefeitura contesta. Com base em relatórios e notificações feitas pela Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), a administração argumenta que algumas linhas estão operando com superlotação nos carros durante os horários de pico (leia mais nesta página).

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